13/02/2012 atualizado às 11:11
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A greve é coisa do século passado?

João Vieira Pereira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 18 de março de 2010

Não é! Mas do século passado é a persistência dos trabalhadores de algumas empresas (quase sempre públicas) em fazerem parte do problema e nunca da solução.

Portugal evoluiu muito nos últimos 20 anos, mas na cabeça de muitos subsiste a ideia de que o Estado existe para resolver todos os problemas, em particular os pessoais. É a desresponsabilização total do indivíduo perante a sociedade. Este comportamento é condicionado por termos um Estado demasiado forte, que serve de pai e mãe para aqueles que preferem ser tratados toda a vida como crianças. O resultado é assustador quando uma parte considerável da população acaba por suportar, através dos seus impostos, todos os cidadãos que preferem viver debaixo da asa do 'Estado-galinha'. Crescem as pressões sociais e, por muito brandos costumes que tenhamos, a revolta entre contribuintes, em especial aqueles a quem o Estado nada melhor tem a oferecer do que a imposição de mais impostos. Fernando Pinto, administrador executivo da TAP, afirmou esta semana que "greve é coisa do século passado" em resposta às ameaças de paralisação por parte dos pilotos da TAP, essa classe trabalhadora desfavorecida...

A TAP há muito que devia ter sido privatizada. Não faz qualquer sentido o Estado manter uma companhia de bandeira. O sector da aviação tem hoje capacidade para preencher a procura do mercado e o Governo de fazer acordos para garantir que determinados destinos estratégicos sejam salvaguardados. O que o Estado não tem é capacidade de manter uma companhia que vive entre as ameaças dos trabalhadores, a insatisfação dos clientes e o constante machado pendurado sobre os cofres do Estado.

Para a TAP já se tentaram fusões, estratégias internacionais, alianças e até datas para a entrada em Bolsa. Para a TAP só há uma saída, a sua privatização total a quem acredite que consegue fazer da companhia uma empresa rentável. É inevitável a concentração no sector da aviação, e neste jogo a TAP não tem qualquer hipótese que não seja a de vir a ser absorvida por uma das grandes companhias internacionais.

O que não pode acontecer é uma empresa do Estado estar dominada por trabalhadores que pensam que são eles que fazem a empresa e não os clientes que com eles optam por viajar. De parasitas estamos todos um pouco fartos. Fazem-nos falta pessoas responsáveis que não achem que, em ano de crise e com a empresa onde trabalham falida, um aumento de 1,8% é inconcebível.

Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010

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São de ontem, hoje e amanhã ...
CãodaRosa (seguir utilizador), 3 pontos (Bem Escrito), 17:22 | Quinta feira, 18 de março de 2010
"O resultado é assustador quando uma parte considerável da população acaba por suportar, através dos seus impostos, todos os cidadãos que preferem viver debaixo da asa do 'Estado-galinha'. " Tem carradas de razão o senhor economista do Expresso, só que erra no alvo como outros franco atiradores da nossa praça, pois quem vive debaixo da asinha do Estado são uns quantos administradores de empresas públicas, que dão "carradas" de prejuízo" e depois são recompensados pelo accionista com prémios milionários. Esquece o Sr. Pereira que só os prémios atribuídos a meia dúzia de administradores da PT, REN, etc, davam para pagar os ordenados de muitos funcionários públicos. Já converteu os milhões que recebe esta gente por vencimentos médios de 600 ou 700 euros da função pública, não o fez, certamente não lhe interessa. Mas não deve ser disto que o ilustre e conhecedor articulista fala, eu é que sou analfabeto, porque caso contrário perguntaria quantos empresários, quanta gente do sector privado vive à farta debaixo da tal asa.
 
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Pois é
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 10:44 | Quinta feira, 18 de março de 2010
Esta era socratiniana é a que nos está a dar mais dores de cabeça, e que alguns afirmam ser a melhor? pois eu desde 1974 ainda não vi melhoras que se possa afirmar que os Portugueses vivam melhor.
Cumprimentos.
 
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Tendências suicidárias
Zé Guita (seguir utilizador), 1 ponto , 23:02 | Domingo, 21 de março de 2010
Tenho muita dificuldade em entender:
- que se consinta no escandaloso autêntico assalto que é o esbulho sob a forma de "prémios" ...
- que se exija aumento de salários quando se está em falência...
- que se mande apertar o cinto ao povo e se mantenham intocadas as mordomias para algumas elites...
- que sindicatos promovam greves com economia estagnada ou em depressão...
 
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