Não é! Mas do século passado é a persistência dos trabalhadores de algumas empresas (quase sempre públicas) em fazerem parte do problema e nunca da solução.
Portugal evoluiu muito nos últimos 20 anos, mas na cabeça de muitos subsiste a ideia de que o Estado existe para resolver todos os problemas, em particular os pessoais. É a desresponsabilização total do indivíduo perante a sociedade. Este comportamento é condicionado por termos um Estado demasiado forte, que serve de pai e mãe para aqueles que preferem ser tratados toda a vida como crianças. O resultado é assustador quando uma parte considerável da população acaba por suportar, através dos seus impostos, todos os cidadãos que preferem viver debaixo da asa do 'Estado-galinha'. Crescem as pressões sociais e, por muito brandos costumes que tenhamos, a revolta entre contribuintes, em especial aqueles a quem o Estado nada melhor tem a oferecer do que a imposição de mais impostos. Fernando Pinto, administrador executivo da TAP, afirmou esta semana que "greve é coisa do século passado" em resposta às ameaças de paralisação por parte dos pilotos da TAP, essa classe trabalhadora desfavorecida...
A TAP há muito que devia ter sido privatizada. Não faz qualquer sentido o Estado manter uma companhia de bandeira. O sector da aviação tem hoje capacidade para preencher a procura do mercado e o Governo de fazer acordos para garantir que determinados destinos estratégicos sejam salvaguardados. O que o Estado não tem é capacidade de manter uma companhia que vive entre as ameaças dos trabalhadores, a insatisfação dos clientes e o constante machado pendurado sobre os cofres do Estado.
Para a TAP já se tentaram fusões, estratégias internacionais, alianças e até datas para a entrada em Bolsa. Para a TAP só há uma saída, a sua privatização total a quem acredite que consegue fazer da companhia uma empresa rentável. É inevitável a concentração no sector da aviação, e neste jogo a TAP não tem qualquer hipótese que não seja a de vir a ser absorvida por uma das grandes companhias internacionais.
O que não pode acontecer é uma empresa do Estado estar dominada por trabalhadores que pensam que são eles que fazem a empresa e não os clientes que com eles optam por viajar. De parasitas estamos todos um pouco fartos. Fazem-nos falta pessoas responsáveis que não achem que, em ano de crise e com a empresa onde trabalham falida, um aumento de 1,8% é inconcebível.
Texto publicado na edição do Expresso de 13 de Março de 2010