Os espanhóis vivem preocupados com a 'geração ni ni' - "ni trabaja ni estudia".
Os portugueses também deviam estar. Fazer promessas a jovens é obrigatório nas campanhas eleitorais.
No meu tempo, a vida era dura. Os meus pais abdicaram de tudo. Para os aliviar, no quarto ano da universidade, ofereci-me para o serviço militar obrigatório. Passei quase três anos na Marinha de Guerra. Foi embarcado que terminei o curso.
Hoje, tudo mudou. Os jovens ficam enjoados depois de uma noite de copos. Mais divertido do que enfiados numa frágil fragata, agitada pelas vagas do Atlântico.
Com tantos apoios do Estado, a palavra de ordem tem de ser exigência.
Dos pais. Os filhos são seus. Cabe-lhes fazerem sacrifícios para a sua exigente educação. Não basta tirar um curso qualquer, de qualquer maneira, para os filhos encontrarem trabalho.
Dos professores. Devem ser o exemplo. No trabalho. Na formação. Na dedicação. No comportamento. Na demonstração da evolução da carreira pelo mérito, fruto de uma exigente avaliação.
Dos alunos. Consomem dinheiro dos contribuintes. A escola não é um local de farra. Têm de entender que, no mundo moderno, não basta passar de ano. O conceito de 'analfabeto' estende-se a muito licenciado que baniu a auto-exigência do seu dicionário.
Dos empresários. Não podem ver no recrutamento de jovens um aproveitamento de apoios do Estado. Conheci um que usava esses apoios para dispor de licenciados pagando-lhes o salário mínimo. A valorização de jovens com potencial passa pela abertura da mente da maioria dos patrões.
Dos sindicatos. O seu silêncio relativamente à problemática de jovens desempregados, que poderiam melhorar a competitividade das empresas, é angustiante. Afirmando-se progressistas, utilizam em excesso o conservador termo manutenção.
Progresso requer uma exigente mentalidade de mudança, designadamente nas políticas laborais que abram portas aos jovens. Não para substituir os menos jovens, mas os ineficientes.
O Governo de José Sócrates tentou, com enormes riscos políticos, dar um rumo de exigência ao sector educativo.
As oposições e as corporações fizeram tudo para tudo abortarem.
Começa a escassear o tempo para evitar o agravamento do drama da 'lusogeração ni ni'.
E sem muita exigência e seriedade política não o conseguiremos.