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A Geração ni ni

António de Almeida
8:00 Quarta feira, 26 de agosto de 2009

Os espanhóis vivem preocupados com a 'geração ni ni' - "ni trabaja ni estudia".

Os portugueses também deviam estar. Fazer promessas a jovens é obrigatório nas campanhas eleitorais.

No meu tempo, a vida era dura. Os meus pais abdicaram de tudo. Para os aliviar, no quarto ano da universidade, ofereci-me para o serviço militar obrigatório. Passei quase três anos na Marinha de Guerra. Foi embarcado que terminei o curso.

Hoje, tudo mudou. Os jovens ficam enjoados depois de uma noite de copos. Mais divertido do que enfiados numa frágil fragata, agitada pelas vagas do Atlântico.

Com tantos apoios do Estado, a palavra de ordem tem de ser exigência.

Dos pais. Os filhos são seus. Cabe-lhes fazerem sacrifícios para a sua exigente educação. Não basta tirar um curso qualquer, de qualquer maneira, para os filhos encontrarem trabalho.

Dos professores. Devem ser o exemplo. No trabalho. Na formação. Na dedicação. No comportamento. Na demonstração da evolução da carreira pelo mérito, fruto de uma exigente avaliação.

Dos alunos. Consomem dinheiro dos contribuintes. A escola não é um local de farra. Têm de entender que, no mundo moderno, não basta passar de ano. O conceito de 'analfabeto' estende-se a muito licenciado que baniu a auto-exigência do seu dicionário.

Dos empresários. Não podem ver no recrutamento de jovens um aproveitamento de apoios do Estado. Conheci um que usava esses apoios para dispor de licenciados pagando-lhes o salário mínimo. A valorização de jovens com potencial passa pela abertura da mente da maioria dos patrões.

Dos sindicatos. O seu silêncio relativamente à problemática de jovens desempregados, que poderiam melhorar a competitividade das empresas, é angustiante. Afirmando-se progressistas, utilizam em excesso o conservador termo manutenção.

Progresso requer uma exigente mentalidade de mudança, designadamente nas políticas laborais que abram portas aos jovens. Não para substituir os menos jovens, mas os ineficientes.

O Governo de José Sócrates tentou, com enormes riscos políticos, dar um rumo de exigência ao sector educativo.

As oposições e as corporações fizeram tudo para tudo abortarem.

Começa a escassear o tempo para evitar o agravamento do drama da 'lusogeração ni ni'.

E sem muita exigência e seriedade política não o conseguiremos.

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A Geração ni ni
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 16:49 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Já o afirmei mais que uma vez que a Justiça, a Saúde e a Educação, não devem ser alvo de lutas partidarias pois interessam a todos os portugueses independente das ideologias de cada um. Infelizmente o que vemos é os politicos em vez de servirem o País preferem antes servir-se. Todos sabemos que a Educação é um meio para saír da pobreza tando individual como colectiva. Todos sabemos que o Ensino tal como está não pode continuar. Todos sabemos que não é tarefa para um só partido, nem para uma só Legislatura. Todos sabemos que nesta Legislatura se tentou fazer algo e até o podemos criticar, mas o maior partido da Oposição em vez de apoiar fez o contrário por uma questão de oportunismo. É claro que quem semeia ventos não duvido que um dia colherá tempestades. Este País precisa de reformas que apesar de impopulares não poderão ser adiadas por muito mais tempo. No privado já foram feitas e os funcionários públicos ainda não entenderam ou não querem entender que não é mais possivel gastar recursos que não temos. Não é mais possivel ter regalias, ordenados e reformas que nos privados que tudo pagam serem uma miragem.
 
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Ni Ni ou Tu Tu... Está tudo doido?
Alvares_Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 11:04 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Conforme se vai envelhecendo vai-se aumentando o uso de vocabulário aparvalhado. Sou novo e já fui roubado pelos Tu Tu. Embora trabalhe conotam a minha geração com os Ni Ni. Quanto ao Ni Ni e à sua geração estamos gratos pela sua luta para alterar o regime. Mas aviso-lhe que estamos e continuaremos a pagar bem a factura que essa geração nos apresentou. Quanto ao Tu Tu devo dizer-lhe que a minha geração terá a arte e a paciência necessária para mudar o rumo deste país. Para já devemos começar por varrer a geração dos Po Pá - "Porreiro Pá" e depois se verá.
 
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TuTuTu e NiNi
SirArthur (seguir utilizador), 1 ponto , 17:02 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Realmente... no mesmo dia o mesmo calibre de "originalidade"...
Em todo o caso convém alertar os restantes utilizadores que a "outra geração" é TuTuTu (3 tus), de Tutu (cor-de-rosa alaranjado) é a forma como o pessoal ficou graças aos Tututu.
 
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Para o cronista TU TU
pastorpato (seguir utilizador), 1 ponto , 18:40 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
ó pá, essa do socrates ter tentado aumentar a exigencia no ensino é de rir até chorar...
Tu, devias era ter juizo, ao escrever uma coluna sobre "tenho um amigo..."
Isso é conversa de café, que é o que a geração TU TU melhor sabe fazer...
 
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A Geração dos melhores de todos os tempos
cenas.underground (seguir utilizador), 1 ponto , 23:08 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
É incrível como, há distância de 40 anos, quase todos os portugueses tiveram de percorrer os doze trabalhos de Hércules por um naco de pão e meia sardinha. Naquela altura, quem não tinha dinheiro, não ia a faculdade, simples como isso. Tirava a 4a classe, e ia ajudar os pais no campo e aos 18 anos, com sorte, tinha dinheiro para um bilhete de ida para o Brasil. Portanto QUALQUER pessoa com estudos superiores, já seria necessariamente uma pessoa relativamente abastada (comparado com o resto da população). "os jovens ficam enjoados após uma noite de copos", sim é isso que todos nós andamos a fazer, enquanto com a nossa idade heróis como este foram para Moçambique, pelo que depreendo do texto, num barco de borracha, ou numa jangada em palitos. A minha geração luta por dignidade, e quando for a nossa vez de contar A História, não nos esqueceremos de omitir (e estou a ser brando), a contribuição das gerações anteriores, com as suas mega-reformas, as progressões automáticas de carreira, a faculdade dos filhos ao preço da chuva. "Consumir o dinheiro dos contribuintes" só é problema porque os contribuintes, consomem várias vezes o dinheiro que pagam... e ainda por cima, estão no seu direito. Que falta de vergonha!
 
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Gerações em conflito?
Macilva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:09 | Quinta feira, 27 de agosto de 2009
Apesar de ser um cota, termo com que carinhosamente me tratam por vezes os amigos mais jovens, fico sempre de pé atrás quando oiço ou leio comentários moralistas sobre a qualidade ou aspirações da nova geração. Normamente são comentários feitos por pessoas idosas (como o António de Almeida, que apesar dos sacríficios que os seus pais fizeram teve o engenho e a arte arranjar os amigos certos que lhe permitem ainda hoje ter um belíssimo emprego na EDP!...) que se esquecem que no seu tempo de juventude apesar da vida ser díficil (e se a minha o foi, o que tive de lutar e trabalhar desde criança para chegar a quadro superior de reconhecido mérito na edp) tinham perspectivas de realização. Hoje os jovens, salvo os novos filhos de algo, têm poucas ou nenhumas perspectivas de encontrar trabalho e, salvo raras excepções, as suas referências paternas e professorais são pouco lisonjeiras. Mesmo assim, esta juventude não é pior nem melhor do que foi a nossa! É apenas diferente! E se nós, os mais velhos, soubermos ter a sabedoria que a idade sempre trás, podemos ser um coach importante no desenvolvimento dos jovens que conhecemos. Mas temos que ser uns velhos que servem de exemplo pelo que somos e não pelo que palramos! De nada nos serve a inveja nem o ressentimento, não voltaremos a ser jovens!
 
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Parabéns
Laxmi-Al (seguir utilizador), 1 ponto , 0:31 | Sexta feira, 11 de setembro de 2009
Parabéns Sr. Dr. Almeida,por mais uma crónica esclarecedora,realista e grata... A lembrança e gratidão pelo que , os seus pais fizeram por si , torna-o um homem merecedor de tudo o que vida lhe tem proporcionado.
E, enquanto os cães ladram a caravana passa.
 
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