Pelo que se tem passado hoje, já se percebeu que o semi-presidencialismo não serviu para grande coisa,
ontem. A falta que nos faz um parlamentarismo racionalizado. Um regime em que cada agente político tenha o poder e o dever de assumir as suas responsabilidades, sem ter a escapatória de passar as culpas para terceiros ou de invocar a intervenção salvífica de uma magistratura superior.
Imaginemos que o artigo 49.3 da Constituição Francesa existia em Portugal. Em vez de termos o governo e a oposição a testar os limites de uma corda cada vez mais esticada, teríamos opções políticas claríssimas em cima da mesa: o Governo teria a opção de sinalizar que "ou passa esta lei ou demito-me", e a oposição teria a opção de votar a lei em pleno conhecimento das consequências políticas do seu voto.
Em vez disso, temos um governo que sibila "consequências sérias", uma oposição que diz não acreditar em cenários, e um povo que já não acredita em nada. Estamos bem servidos.