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A falta de coragem no PSD

A política não se faz só com risco. Mas também não se pode fazer apenas com cautela e segurança. No PSD, o medo de arriscar começa a ser endémico. Todos tentam antecipar os movimentos dos outros em vez de avançar.

Ricardo Costa (www.expresso.pt)
8:00 Segunda feira, 16 de novembro de 2009

Manuela Ferreira Leite está disposta a sair mas só depois do debate do Orçamento do Estado. Marcelo Rebelo de Sousa pediu quatro semanas para hibernar. Paulo Rangel acha que Marcelo é o melhor e acha isso ao mesmo tempo que todos os barrosistas, numa curiosa epifania colectiva.

Aguiar Branco acha que o melhor é esperar porque o tempo e o Parlamento vão mostrar que ele é tão bom como Rangel. Rui Rio acha que se está melhor no Porto e que Marcelo é melhor do que Rangel. Alexandre Relvas acha o mesmo e faz colóquios. Morais Sarmento acha que Marcelo é o melhor mas que, no fim, ele não avança e o partido cai nos braços de Passos Coelho. E todos acham que isso é o desastre.

Antes de mais, convém perceber que todas as pessoas que povoam o parágrafo anterior têm uma coisa em comum: deitaram abaixo a direcção de Luís Filipe Menezes, estiveram contra Pedro Santana Lopes (alguns embarcaram no Governo dele por pura obediência ao verdadeiro chefe que partiu para Bruxelas) e nunca ajudaram Marques Mendes porque, no fundo, não era um dos seus. Não tenho dúvidas de que neste grupo há pessoas com capacidades óbvias para liderar o PSD e aspirar a governar Portugal. Há, aliás, pessoas cujas capacidades são muito mais evidentes do que as de Pedro Passos Coelho, um mistério para todos nós. Mas não consigo perceber porque é que este grupo se entretém ora em marcações à zona (uns aos outros) ora em estudos do calendário sem que ninguém dê um passo em frente.

Há um ano e meio, este mesmo grupo convenceu Manuela Ferreira Leite a 'salvar' o partido da deriva de Menezes, impedir que o poder ficasse nas mãos de Passos Coelho ou Santana e, já agora, retirar a maioria absoluta a Sócrates. Conseguiram as duas primeiras e Sócrates encarregou-se da última.

Passou um ano e meio e as coisas estão na mesma. No meio da confusão, todos se dedicam a uma profunda hermenêutica do ciclo político e ninguém arrisca um centímetro. A política faz-se com ponderação, é certo. Mas também se faz com coragem.

Não é preciso evocar Sá Carneiro ou Mário Soares para ver que só quem corre riscos chega longe. Cavaco perdeu umas eleições presidenciais para Sampaio. Sampaio perdeu um congresso para Guterres e arriscou o pescoço contra Marcelo nas autárquicas. Aznar perdeu uma eleição para González, Mitterrand perdeu muito. Sarkozy arriscou contra todos. Obama idem. No PSD ninguém arrisca nada. Agora é cedo e depois logo se vê. E vê-se o quê? Nada.

Ricardo Costa

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009

 

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Sócrates
cjours (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 12:23 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Quando não fala do Sócrates, assunto que lhe tolhe o raciocinio (ou, ao invés, o torna delirante) o Ricardo Costa até diz umas acertadas... : ))))
Podia ir mais longe, claro, mas isso não faz parte da agenda...
 
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A falta de coragem no PSD
Toni 2 (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 16:13 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Sócrates não este, mas o filósofo que nasceu em Atenas, um certo dia no mês de Agosto ao meio dia veio para a Praça de candeia acesa onde passeavam na altura centenas de homens. Os amigos ao verem tamanho espectáculo abeiraram-se dele para saber qual a razão da candeia em pleno dia onde a luminosidade dispensava tal facto. Explicou ele que procurava um homem, tendo todos os que o rodeavam ficado atonitos, respondendo-lhe que na mesma se encontravam centenas. Retorquiu que eles viam muitos, mas ele não conseguia ver nemhum. Se Sócrates fosse vivo era capaz de ter a mesma opinião em relação ao PSD.
 
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A FALTA DE CORAGEM DE RICARDO COSTA
pastor51 (seguir utilizador), 1 ponto , 9:57 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
nem vale a pena comentar,o comentario deste senhor que trabalha para a SIC,sim os comentarios dele são conhecidos por serem ANTI-PSD é logico já que tem a familia mais proxima eleita para a camara de Lisboa,com as cores do PS?? mas se ele acha que o PS actual está a prestar um bom serviço ao Pais,com todos os escandalos de CORRUPÇÃO VINDOS DE QUEM ESTÁ NA MAIS ALTA POSIÇÃO,então é mesmo que todos os SOCIALISTAS não prestam para nada.
 
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Parece-me bem mas desnecessário...
Alvares_Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 13:39 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
todo este exercício de conjecturar sobre o estado do PSD e da sua liderança. Interessa mais saber ou tentar adivinhar? O Sr. Ricardo Costa está para actualmente para a análise política como os economistas para a crise, tudo o que possam dizer são meras especulações. Não se sabe quem, como e quando e, devo dizer, até nem interessa saber, face aos sucessivos escândalos do molusco marinho tentacular que tende a invadir com os seus oito braços as EP e os contribuintes. Estar a discutir a sucessão do PSD é tentar mover as atenções para campos insignificantes quando a crise do regime se acentua. Não desvalorizo, com isto que escrevo, que a eventual crise do PSD é um mal menor para o país, quero é simplesmente retirá-la do contexto de necessidade imperiosa para a estabilidade da nação, como alguns comentadores querem fazer crer. A sucessão do PSD dar-se-á com naturalidade e no timing que o partido definiu. Não acredito que seja necessário que o Sr. António Costa esteja constantemente a conjecturar sobre se este ou aquele senhor será um putativo candidato à liderança, a não ser que se queira auto-intitular a “Maya” da política. Lançar cartas de tarot nesta fase é simplesmente um exercício inútil. Até leio as suas crónicas com atenção mas na gíria da batalha naval este comentário foi à “Água”.
 
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O VELHO PROBLEMA DE SEMPRE...
Zaratustra70 (seguir utilizador), 1 ponto , 13:57 | Segunda feira, 16 de novembro de 2009
Foi sobrio, o comentario do Ricardo Costa, e não muito longe da realidade.
Mas voltamos ao mesmo VELHO PROBLEMA DE SEMPRE, o que é mais importante Portugal e os Portugueses, ou estrategias pessoais para conseguir o poder????
São os politicos que temos (que abrangem todas as areas)...
Cumprimentos
 
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A falta de coragem no PSD
crise (seguir utilizador), 1 ponto , 0:29 | Domingo, 22 de novembro de 2009
A falta de coragem no PSD. Todos tentam antecipar os movimentos dos outros em vez de avançar.

»» O PSD está peado.
Os históricos são força de clivagem.
Se não devolverem o partido, nada melhora.
 
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O PSD tem de reagir sim!
Outubro1560 (seguir utilizador), 1 ponto , 15:17 | Domingo, 22 de novembro de 2009
Votei no PSD e sou a primeira a admiti-lo. É importantíssimo que se consolidem e cumpram o seu papel, caso contrário estamos entregues à bicharada. Tão simples quanto isso.

Para todos a quem interessa uma oposição débil, evidentemente que o assunto é secundário.

Quanto aos indignados que votaram no mesmo partido que eu, de nada adianta fecharmos os olhos a uma realidade ingrata, só porque afronta as nossas emoções políticas.

Se o PSD não estivesse como está, o PS jamais teria ganho as eleições, pensem nisso. Só ganhou porque havia um descrédito generalizado na capacidade de liderança do PSD.

O PSD é a oposição em conjunto com o CDS-PP que se fortaleceu pelo mesmíssimo motivo.

Sem uma oposição em que as pessoas acreditem não há como travar a porcaria que por aí vai.

Tenho alguma esperança que se consolide, mas que há hesitações há e o motivo delas é a incerteza. Ninguém quer saltar para arena. Talvez o problema seja esse mesmo. Que para endireitar as coisas a única hipótese seja mesmo saltar para a arena. Só espero é que não seja tarde demais. Quanto mais tempo passar, mais oportunidades dão aos amigos do Governo de lançar o descrédito sobre o partido.

Marcelo, Rangel, deixem-se de fitas e candidatem-se de uma vez por todas.
 
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