Vamos entrar numa fase crucial da vida política do país, que é a da elaboração do Orçamento do Estado.
É que este documento não é uma mera amálgama de números, apenas perceptível pelos técnicos.
É essencialmente um documento político que espelha as orientações da política económica do Governo, que reflecte as suas prioridades e que condiciona a vida das empresas e dos cidadãos.
Os principais problemas do país estão identificados e o seu grau de gravidade recolhe a quase unanimidade das opiniões dos economistas, confirmado pelo apelo do Presidente da República ao contributo de todos para evitar o descalabro.
O nível de endividamento externo do país - incluindo estado, empresas e famílias -, a falta de competitividade das empresas e o desemprego são as questões mais prementes que é necessário corrigir, objectivo para o qual os políticos deverão dar o seu contributo sério e responsável.
O ponto de partida não pode deixar de ser a transparência absoluta da real situação económica e financeira do país, com a informação precisa dos encargos já assumidos no presente e no futuro.
Só assim será realista um qualquer plano de resolução dos problemas que enfrentamos.
Só assim se mobilizarão os portugueses para ultrapassar a gravidade da situação.
Texto publicado na edição do Expresso de 09 de Dezembro de 2010