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A escola que deixa morrer

A escola já deixa morrer. Por inépcia, por negligência, por desatenção, por desorganização.

Alberto Quaresma (www.expresso.pt)
23:13 Quinta feira, 11 de março de 2010

Leandro Pires tinha 12 anos. Frequentava a Escola Básica 2/3 Luciano Cordeiro, de Mirandela. Atirou-se ao rio Tua, para um último ajuste de contas consigo. Nunca mais quis enfrentar os sistemáticos ajustes de contas que colegas mais velhos lhe faziam E que ninguém notava.

Foi vítima de repetidos maus-tratos. Num lugar onde devia estar seguro, onde não devia sofrer, a sua escola. Em Dezembro de 2008 já tinha sido hospitalizado, na sequência de agressões feitas por colegas naquele lugar. Da participação que os pais fizeram então nada resultou.

Oito dias depois do desaparecimento de Leandro, o Ministério da Educação continua sem saber o que se passou. Seria estranho que soubesse. O Ministério da Educação só se preocupa com o que manda fazer nas escolas. Não com o que lá se faz. E, em muitas, faz-se o mal e a caramunha. Até se ajuda por distracção, como agora, a submergir nas águas geladas de um rio.

O Ministério da Educação tem culpas no cartório. Não esta equipa ministerial, em particular, que lá está há pouco tempo. Mas todas as que o têm dirigido nos últimos vinte anos. O que sobrou em renovação de instalações e dotação de equipamentos, faltou em recursos humanos, auxiliares de educação e restante pessoal, devidamente formado, que garantisse a segurança e a tranquilidade de um estabelecimento de ensino.

As escolas básicas, sobretudo de 2º e 3º ciclo, têm no seu interior o que lhes deixam ter. E o que cá fora se ignora ou silencia.

A aula ainda é o espaço menos problemático. Mas, mesmo aí, são continuados os episódios de barulheira pegada, de agitação, de bagunça, de palhaçada, de regabofe. Não em todas, mas muitas que impedem que se faça o que deveria ser normal, ensinar e aprender.

O recreio é o lugar onde tudo acontece. Mas ninguém sabe de nada. Os auxiliares de educação não vêem, nem querem ver. A maioria é constituída por mulheres. Pouco preparadas, como é natural, para lidarem com a brutalidade verbal ou física.

As direcções das escolas desvalorizam o sururu. Se não se falar em violência não existe. Os professores fora da redoma da sala de aula não querem saber de desgraças. E estas subsistem. Em muitos instantes.

O Ministério da Educação e a escola não estão sozinhos. Há mais responsáveis. No fenómeno que hoje tem nome badalado - bullying - há carrascos e vítimas. E os pais de uns e de outras.

Pais dos primeiros que os não educaram, que não se deixam respeitar, que não se importam que os filhos não respeitem ninguém, que desvalorizam ou admiram os exercícios de virilidade dos seus rebentos, ou que mesmo os instigam à selvajaria. Já o disse noutro lugar. Não só pais do rendimento social de inserção. Também os há do rendimento real de ostentação. E do remediado rendimento de sustentação.

Pais das vítimas que não se apercebem dos silêncios, que não sentem os sinais de alerta, que não comunicam com os filhos porque o futebol ou a telenovela são mais importantes, que ignoram o que o herdeiro andou a fazer ou a sofrer durante o dia, ou que se intimidam com a eventualidade de ter de pedir à escola responsabilidades sobre o que acontece ao filho a quem confiaram a sua guarda.

Responsabilidades divididas equitativamente? Nem pensar. A direcção de uma escola tem o dever imperativo de saber o que se passa no seu interior. E proporcionar as condições de segurança e o ambiente de tranquilidade para a sua insubstituível missão educativa. E muitas não o fazem.

No dia em que as comissões de protecção de menores acordarem do seu torpor e meterem o nariz dentro da escola, ou que as direcções das escolas forem criminalmente responsabilizadas pelo que acontece nos seus espaços, talvez se possa prevenir a ignomínia do sofrimento de muitas crianças e a dramática morte abreviada de uma, literalmente, só.

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A Ministra da palmatória
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 9:35 | Sexta feira, 12 de março de 2010
Este texto é um diagnóstico correcto da Escola ,do que lá se passa e do lavar as mãos como Pilatos de quem superiormente tem responsabilidades politicas para agir:o Ministério.
A tragédia de Mirandela não é um caso isolado,nem se resolve com medidas repressivas de palmatória.
A Sra Ministra tem que perceber que alguma coisa de muito grave se passa na Escola Portuguesa e que é preciso analisar, discutir e resolver.
Na educação está o futuro do Pais.
E a politica tem que lhe prestar a atenção devida.
E quando ela se refugia nos inquéritos que manda instaurar isso significa que a politica bateu no fundo ,se burocratizou e não conhece o mundo que a rodeia.
 
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Educação ou Ensino ? Palmatória ou Suicídio ?
01AMSM (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 7:07 | Domingo, 14 de março de 2010
am: Dois dias sem dormir... e continuo REVOLTADO!!!
Também tenho filhos que andam na escola; a minha mulher, o meu irmão, a minha cunhada e alguns amigos também são professores!
Ao fim de alguns anos a ouvir os seus relatos e depois de muita reflexão ainda não entendo porque é que temos um Ministério da Educação, quando precisávamos de um Ministério do Ensino!
A escola não deveria ser o local de aprendizagem por excelência? A educação não se devia dar em casa? Porque não deixam os professores ensinar em vez de os porem a educar? Talvez porque não deixam os pais educar os filhos...
Quem foram os srs "doutores" que inverteram isto tudo?
Quando eu andava na escola primária, a minha professora usava palmatória - era uma carnificina diária - mas havia RESPEITO!!!
E nunca vi ninguém levar um castigo que não merecesse... Sim porque as crianças hão-de querer sempre esticar a corda até ao limite. Isso nunca vai mudar!
Mas curiosamente na minha turma quem levava mais era o próprio FILHO da professora.
Quando era pequenito levei uma tareia do meu pai. Não me lembro do que fiz, mas ainda hoje me lembro dela (tareia)... devo tê-la merecido!
Na idade da parvalheira também fui expulso de uma aula... não me lembro do que fiz, mas a minha rebeldia acabou aí!
Os srs "doutores" devem achar uma barbaridade, mas hoje, levanto a mão e dou umas boas palmadas aos meus filhos quando é preciso, em nome do respeito pelos mais velhos - um dos VALORES mais sagrados! ...
 
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Não queiram rever as "teorias" da educação, não..!
mimp (seguir utilizador), 1 ponto , 10:24 | Sexta feira, 12 de março de 2010
“As escolas têm de ser responsabilizadas”
Que mecanismos têm as escolas para lutar contra isto? Nenhuns. E se os pais das vítimas se queixarem à polícia, o que é que acontece? Nada. Porquê? Porque cada vez mais, e a todos os níveis, as leis consagram a IMPUNIDADE total dos infractores.
Os professores não vêem, nem querem ver, porque também têm medo!
Hoje em dia está instituída a teoria de que os animais selvagens se domesticam com palavras.
Os selvagenzinhos, em vez de levarem um tabefe quando é preciso, vão ao “psicólogo” para serem “convencidos” de que procederam mal... E os resultados falam por si!!! A “psicologia” tem surtido algum efeito?! Não. Cada vez há mais agressividade nas escolas. Se calhar é altura de pôr este “modelo” educacional de parte e experimentar outro, não...? Ou talvez voltar ao antigo que, sem ser perfeito, sempre dava resultados um bocadinho melhores.
Tem de haver punição para quem transgride. É um princípio fundamental numa sociedade de direito. E tem de ser eficaz. Os encarregados de educação dos meninos agressores, que têm legalmente de responder por eles, deviam passar uns diazinhos de prisão efectiva quando os rebentos passam das marcas. Quanto às crianças, talvez bastasse a mera presença nas escolas de um ou dois seguranças, daqueles tipo frigorífico americano.
Convém não esquecer que, por muito “racional” que seja, o Homem é, acima de tudo, um animal, e tem instintos. Estes não se controlam com palavras, sobretudo os de índole violenta..
 
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a responsabilidade
userEX142741 (seguir utilizador), 1 ponto , 10:39 | Sexta feira, 12 de março de 2010
Sim senhor o ministério funciona mal, a escola, a direcção da mesma pior ainda, os professores andam mais preocupados com a sua carreira de que com o seu trabalho é tudo verdade, mas falta uma componente muito importante os pais, os pais dos que são vitimas d sobretudo dos que maltratam, pertubam etc.
Meia dúzia de "criancinhas" em quem os pais não têm mão maltratam, destroem, impedem que as aulas sejam dadas trazem em terror os colegas e alguns professores, mas que é isto?? estas criancinhas não têm paizinhos que se responsabilizem por eles. Onde estão esses pais na taberna a beber cervejas?? e as mães??? têm medo dos próprios filhos?? e a sociedade permite tudo isto??? não há solução, é um fatalismo???
 
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