No extraordinário livro de Jeffrey Reuer sobre "Alianças Estratégicas", surge um artigo de G. Walker, B. Kogut e W. Shan sobre o 'Capital social' que analisa com grande profundidade e lucidez as vantagens e os equívocos das networks sociais profissionais, ao nível individual e das empresas.
'Capital social' é definido como a soma dos recursos, reais ou virtuais, que são acrescentados a um indivíduo ou um grupo de indivíduos pelo facto de possuírem uma rede estável e duradoura de relações, mais ou menos institucionalizadas, de mútua aceitação e reconhecimento.
As redes têm, assim, um papel fundamental, direcionando fluxos de informação, constituindo e mantendo o capital social.
Nas redes mais 'densas', em que todos os elementos estão interligados numa 'rede fechada', os atores institucionais têm acesso ao capital social, um recurso que ajuda ao desenvolvimento de normas de comportamento aceitáveis e à difusão de informação sobre esse comportamento. Nestas redes, a informação sobre comportamentos desviantes é prontamente disseminada e o comportamento objeto de sanção adequada. Com o aumento da previsibilidade global dos comportamentos no sistema estabilizado, o oportunismo individual é constrangido e a cooperação é ampliada.
Nas 'redes abertas', pelo contrário, os atores institucionais não dispõem do capital social em que confiam, uma vez que não estando intimamente ligados entre si, as normas de cooperação são mais difíceis de promover e atingir e a informação sobre comportamentos desviantes e oportunistas são difundidas muito mais lentamente.
As 'redes densas e fechadas' são, assim, as únicas que desenvolvem e otimizam o capital social dos seus membros, desde que sejam tomadas várias precauções na sua formação e gestão.
Ao nível da formação da rede, os princípios básicos a adotar pelos elementos que a constituem resultam da teoria básica das alianças e são a identidade de princípios, valores, normas e objetivos, a cooperação leal e recíproca e as relações de confiança (trust) entre os seus membros.
A gestão da rede deve, por um lado, monitorar permanentemente a adoção destes princípios e a coordenação das várias ações de cooperação de acordo com a base de constituição da rede, sancionando de modo firme e decidido todos os comportamentos desviantes
A atuação de um verme, em termos dos princípios que estão na base da criação e funcionamento de uma rede densa, reduz sistematicamente o seu capital social, conduzindo no limite à sua destruição ou inoperacionalidade total.
A falta de tradição nacional na identificação e correção de ações oportunistas por membros menores das redes está na base da reduzida utilidade e capacidade de afirmação do capital social, no âmbito da gestão e empreendedorismo, contrariamente ao que acontece nos países anglo-saxónicos, que utilizam estas ferramentas, de modo exemplar.
*Professor Associado
Convidado do ISCTE
Texto publicado na edição do Expresso de 28 de agosto de 2010