Só agora foi divulgado o défice orçamental de 2009, número que surpreendeu muitos, mas não todos, incluindo o primeiro-ministro.
Este afirmou mesmo que aquele valor não resultava de um descontrolo das contas públicas, mas de uma decisão deliberada do Governo com o objectivo de combater a crise.
Os resultados dessas políticas não foram animadores, além do efeito político de adiar falências e desemprego em período pré-eleitoral.
A declaração do governador do Banco de Portugal sobre a previsível necessidade de aumentar os impostos revela bem a gravidade da situação do país.
Esta afirmação surge ao conhecer que o défice é de 9,3% porque este valor torna irrealista a possibilidade de o baixar para 3% até 2013, apenas pela redução da despesa.
E, no entanto, a necessidade de melhorar a nossa competitividade e de fomentar a poupança, ambas essenciais para ajudar a inverter a trajectória de endividamento do país, só pode aconselhar a que não se aumentem os impostos.
É, por isso, dramático que, apesar de tantos avisos, se tenha avançado com uma política sem perspectivar o caminho para o recuo.
Ficámos numa situação semelhante a um doente que, para ser salvo, precisa de um tratamento que lhe agrava a doença.
Texto publicado na edição do Expresso de 6 de Fevereiro de 2010