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A China, acordada

José Cutileiro (www.expresso.pt)
8:00 Terça feira, 24 de novembro de 2009

Os governos europeus mostraram que o Tratado de Lisboa, apregoado como reforço da presença da União no palco universal, começava por a dificultar, soltando indecorosamente em público 27 cães nacionalistas a dois ossos intergovernamentais e revelando na escolha desses dois chefes políticos preocupações de equilíbrio entre Norte e Sul, Leste e Oeste, grandes e pequenos, homens e mulheres, louváveis em quem presumisse dar lições de moral ao resto do mundo mas prejudiciais para quem tenha de se defender dele. Entretanto, Obama, que não fora a Berlim festejar os 20 anos da queda do Muro, fazia visita pastoral aos fiéis da Ásia e do Pacífico e encontrava-se em Pequim com o seu colega chinês Hu Jintao.

Lendo textos preparados e sem admitirem perguntas dos jornalistas (na China, sê chinês), os dois afirmaram quererem fazer da Conferência de Copenhaga um sucesso na luta contra o aquecimento global (a China produz 20,7% dos gases com efeito de estufa do mundo e os Estados Unidos 15,5%) e quererem trazer a Coreia do Norte de novo à mesa das negociações; Obama disse que ambos exortavam o Irão a ser mais cooperativo e aconselhou a China a falar com o Dalai Lama; Hu Jintao disse que a China e os Estados Unidos iriam discutir bilateralmente direitos humanos e liberdade religiosa. A marcar bem a ascensão da China disse também que os dois países se tratavam agora de igual para igual, acrescentando chavões tradicionais da retórica da China comunista - "respeito mútuo"; "ascensão pacífica"; "não interferência em questões internas' - e, em alusão transparente a tarifas impostas recentemente por Washington a produtos chineses, lembrou que nas circunstâncias actuais ambos os países precisam de se opor a quaisquer medidas proteccionistas.

Comentadores europeus falaram sombriamente de um G-2 com muito mais comando do mundo do que o G-20 ou as Nações Unidas, mas aí há grande exagero - e o problema não é esse. O problema é que a ascensão da China ao palco universal onde a União Europeia se quer afirmar vem com reforço contínuo das suas poderosas forças armadas e com explosões de nacionalismo que confrontos recentes com minorias intramuros têm vindo a exacerbar. Não são só deputados a votarem aumentos dramáticos do orçamento de defesa e apparatchiks a aplicarem cegamente instruções do comité central. São dissidentes que acusam o Governo de ceder ao estrangeiro; um grupo rock banido que canta: "Taiwan é nossa, o Tibete é nosso. Transigir com a América e o Japão é uma desgraça"; o livro colectivo "China Infeliz", em que um dos autores preconiza que o país tenha forças armadas capazes de conquistar seja quem for, seja onde for e de bater em quem quer que falte ao respeito à China.

Napoleão previra tremor de terra quando a China acordasse - sabendo que não seria no seu tempo. É agora. A União Europeia, sem força militar, deveria concentrar tudo no aumento do seu poder comercial e esquecer sonhos mal partilhados de grande império do bem.

José Cutileiro

Texto publicado na edição do Expresso de 21 de Novembro de 2009

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antespelocontrario (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 6:48 | Quarta feira, 25 de novembro de 2009
Vivi nos ultimos anos apavorado, por causa da ascencao do poderio militar, economico, comercial e consequentemente politico, da China no mundo. Fui (e sou) bombardeado com artigos de opiniao, que naturalmente influenciaram a minha, sobre o implacavel demonio Chines, que esta prestes a cair em cima de nos, reverentes e tementes do Deus mesiricordioso e campeoes da democracia..

Qualquer um se assusta. Eu assustei-me confesso. que cheguei ao ponto de dizer a heresia, mil vezes o Bush aos chineses.

Acabei de fazer uma visita de trabalho a China. Esperava encontrar um estado policial, pessoas macambuzias, respirar tristeza e desespero, pintalgado de neons e novos ricos. Surpresa!!!

Encontrei um pais com gente maravilhosa, que se ri de vontade, a explodir de modernidade, mas que conserva com denodo as tradicoes, que sabe receber de forma carinhosa, que nao esconde as miserias que existem, mas tambem nao esconde as grandes fortunas, a fervilhar de vida cultural e social.

E concerteza uma ditadura, mas aqui na democracia, podemos falar, mas a nossa palavra (da grande massa anonima) vale zero. So vale a palavra daqueles que tem acesso aos grandes meios de comunicacao social e aos"pardieiros" de luxo onde se tomam as decisoes, depois dos politicos terem rasgado os nossos votos apos as eleicoes.

E preferivel viver ca? concerteza! mas ja nao estou assustado como estava porque daqui a cinco anos eles vao comandar o mundo.
 
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    Re: Tenha calma!    Ver comentário
jvicentepinto (seguir utilizador), 1 ponto , 9:59 | Segunda feira, 30 de novembro de 2009
    Re: Tenha calma!    Ver comentário
antespelocontrario (seguir utilizador), 1 ponto , 10:22 | Segunda feira, 30 de novembro de 2009
Sempre o medo de voltarem os filhos dos GENGI KANS
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 10:43 | Segunda feira, 30 de novembro de 2009
Sempre o ser humano vai viver;com o medo do vizinho;e doutros povos bem distantes;mas que os chinas,já estão vivendo no nosso quintal europeu.;e já não mais são um povo distante.E agora.?Já dominam o mundo;com a sua economia pirata,e agora só falta virem os exércitos aos mihões de chinezinhos;e dominarem o pouco que falta.?
A euopa;foi dona do mundo;mas a ambição o egocentrismo;destruiu-nos... agora.?Me responda quem souber...CUMPS.KANTIFLAS
 
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