Durante o dia 2 de Junho tivemos a magna oportunidade de testemunhar na primeira pessoa a fúria de um Minstério da Educação que, quer através da Ministra, quer dos seus Secretários de Estado, se vem demonstrando fiel aprendiz da doutrina da retórica de propaganda e mentira que este Governo por aí propala com o Primeiro-Ministro ao leme.
O Ministério da Educação está de cabeça perdida, de facto. A ira, o ataque desmedido, o sentimento anti-Escola, anti-professores e "anti-tudo-o-que-não-seja-do-meu-querido-PS", toldou a capacidade de raciocínio à própria Ministra que escolhe agora o insulto como arma política, à falta de argumento e de bom-senso. O estilo trauliteiro, quase arruaceiro, que presidiu a esta última audição do Ministério da Educação na Comissão de Educação e Ciência demonstrou bem a natureza anti-democrática de uma Ministra que impôs uma política de subversão, à margem da Lei de Bases do Sistema Educativo e da Constituição da República Portuguesa.
A Ministra adoptou uma postura de uma arrogância tal que só vem reforçar, ainda que já de forma ridícula, a sua obstinação contra os professores, o seu ódio visceral pela escola pública e a sua concepção de Estado enquanto propriedade do Governo. Concebe, pois a Escola, não como uma construção dos portugueses, dos professores, auxiliares de acção educativa e de outros homens e mulheres que entregaram um generoso contributo para a edificação de uma Escola Pública que, em pouco mais de trinta anos, cresceu permitindo a massificação do Ensino; mas como uma propriedade sujeita aos caprichos e ditames, à ditadura tecnocrata dos gabinetes da ministra em funções.
Exactamente porque a razão não sustenta a sua acção, a Ministra ostenta a sua irracional paixão que se traduz numa total perda da lucidez política para lidar com o Sistema Educativo. Mas mais do que tudo: a Ministra não gosta da Lei. Não gosta da Lei de Bases, não gosta da Constituição e por isso mesmo, actua na marginalidade: à margem da lei, fazendo por ignorar que a lei existe e abusando da sua posição de poder para a contornar sempre que a lei não satisfaz os seus caprichos.
A estratégia está clara. A agudização do comportamento agressivo e autoritário da Ministra reflecte uma cabeça perdida que tenta agora captar os votos de todos quantos não conhecem as escolas, o seu dia-a-dia, tenta ainda seduzir os pais responsabilizando os professores pelas falhas das escolas que sentem, tenta captar a fidelidade de um punhado de eleitores que se revêem na política de direita autoritária e que concebe a escola como uma fábrica, os professores como operários e os estudantes como produtos. Tenta fidelizar os votos desses miseráveis espectros políticos porque sabe que não conta com os votos dos professores, dos democratas e de todos os que defendem uma Escola Pública de qualidade, e sabe que não contaria com esses votos, nem que viesse agora chorar falsos arrependimentos.
Ao menos assim, sabemos todos com o que contar no dia das eleições.