Foi na agência local, de Vila Franca do Campo, da Caixa Geral dos Depósitos que Débora Raposo encontrou a fonte que sustentou a "exuberância", a expressão é do procurador do Ministério Público que a acusou, de uma burla nunca dantes vista nas ilhas. Durante quase dois anos, 95/96, as expectativas que criou, urdiu e alimentou sobre os "milhões de dólares" que, a todo o tempo, chegariam pelo desconto de uma LC (carta de crédito), emitida por um banco russo, levaram à certa um gerente de balcão que lhe pôs nas mãos milhões de euros.
A rede que criou, de angariadores de mutuários e fiadores, levou centenas de incautos a assinar papéis que foram sendo transformados em "empréstimos" retirados de uma linha de crédito para compra, imagine-se, de gado, "novilhas de recria". O golpe lesou a CGD em mais de um milhão de contos mas, também, centenas de pessoas, que assinaram papéis em branco, para "ajudarem" o Clube Desportivo de Vila Franca, entre outras ingénuas razões, e ficaram "devedoras" da CGD sem nunca terem recebido um único tostão.
Débora e um construtor civil, João Teotónio (presidente da Direcção do clube em 94/95 e 96, (sendo sucedido na mesma por Ricardo Rodrigues em 97), repartiram o "saque". O gerente do balcão, Duarte Borges, e a linha de crédito alimentaram durante os anos de 95 e 96 a excentricidade "empreendedora" de Débora, mais a sua corte de assessores e colaboradores, viagens e hotéis de luxo, uma suite no Sheraton-Lisboa e, simultaneamente, outra no Savoy e mais um apartamento de luxo no Reids, no Funchal ... "Alimentaram", mas, mesmo assim, não evitaram a catástrofe que caiu sobre o Colégio Internacional do Funchal.