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A 'banda secreta' de Adriana

10:05 Sábado, 21 de março de 2009

"Toda a gente tem banda secreta, quer seja de garagem ou discoteca", canta Adriana no primeiro refrão do seu disco de estreia. A jovem cantora conseguiu finalmente atingir um dos sonhos da sua vida: editar um álbum. Nascida em Portugal mas a residir nos Estados Unidos há sete anos, Adriana vê o seu disco chegar às lojas no dia 23 de Março, depois de muitas experiências pelo meio.

O Expresso oferece-lhe em exclusivo a possibilidade de ouvir 5 músicas de "Adriana", antes do lançamento oficial do álbum.

O disco nasce da inspiração da compositora de 25 anos que um dia se fartou de trabalhar como consultora, despediu-se e fechou-se em casa a escrever as músicas que fazem agora parte do seu disco de estreia.

Adriana estudou no Conservatório e matriculou-se depois num curso de Línguas e Literaturas Modernas em Lisboa, até que uma audição para o prestigiado Berklee College of Music lhe mudou a vida. Ganhou uma bolsa de estudo, mudou-se para os Estados Unidos e com uma grande força de vontade concluiu em dois anos um curso de quatro, sacrificando os verões.

O gosto pela música fê-la cantar em todas as oportunidades que apareciam, entre restaurantes, casamentos ou funerais. O emprego num escritório, como consultora, foi a 'gota de água' para Adriana perceber que a música era o caminho que queria seguir.

Neste disco, Adriana canta, toca flauta, guitarra e piano e dá-se a conhecer com letras intimistas e em português. A sua voz doce caminha por sonoridades pop, jazz ou bossa nova, numa mistura ecléctica de estilos.

Texto: Pedro Miguel Neves

Adriana

Cara ou Coroa
Banda Secreta
Às Vezes
Em Contramão
Pedras do Meu Caminho

Entrevista a Adriana

Antes do lançamento oficial do disco, Adriana falou ao Expresso sobre as suas ambições e a inspiração diária que encontra para compor música.

"A minha música sou eu"


A música sempre foi o seu sonho?
É isso exactamente. É uma força que eu não defino, porque é isso que me tem guiado este caminho todo e me continua a guiar. É isso que gosto, não saber de onde vem, para onde vai... é a minha vida.

Teve uma formação musical sólida. Isso foi importante na composição deste disco, ou ele partiu mais da inspiração?

"A música é uma força que não defino", diz Adriana
"A música é uma força que não defino", diz Adriana
É uma combinação. Claro que a formação teve grande importância e não sei o que é não ter tido formação. Uma canção demora uma vida inteira a ser escrita, então este álbum é tudo o que eu vivi e é uma combinação da inspiração e também do que aprendi e de tudo o que ouvi. A minha referência é o dia-a-dia, a minha inspiração é a vida.

A Adriana compôs, cantou, produziu e tocou vários instrumentos no álbum. Como é que descreve a experiência?
Dei em doida! (risos). Foi o meu primeiro trabalho como produtora, mas não podia imaginar mais ninguém a produzir este álbum, tinha de ser eu. Passei muitas horas em casa a fazer os arranjos para todos os instrumentos. Não há nada como a sensação de chegar ao estúdio e meter as pautas em frente a cada música e ouvir aquilo pela primeira vez. Tinha uma ideia de como iria soar, mas acabou por soar muito melhor porque a música é uma coisa muito humana. Ver o disco ganhar vida é uma sensação indescritível e tive a sorte de conseguir os músicos que queria.

Como é que surgiu a ideia de lançar o disco?
Eu compunha as canções e o passo seguinte era gravá-las, por isso eu tinha uma 'demo'. A Universal ouviu-a e formámos uma relação, lancei este álbum e estou muito feliz com o trabalho que estamos a fazer.

Qual é a prioridade, promover o disco em Portugal ou a distribuição internacional?
Eu quero que o meu álbum chegue o mais longe possível mas de momento, sem dúvida, a minha prioridade é o apoio dos portugueses, isso é muito importante para mim. Ver o disco dia 23 nas lojas vai ser uma felicidade e no dia 24 vai ser a apresentação no S. Jorge, às 21h30.

E já existe alguma digressão planeada para promover o álbum?

Capa do álbum "Adriana", que chega às lojas no dia 23 de Março
Capa do álbum "Adriana", que chega às lojas no dia 23 de Março
Quero levar isto a todo o sítio onde me ouvirem. Vai ser tudo marcado, mas por enquanto ainda estou na fase de promoção do disco junto da comunicação social. Mas depois quero quartos de hotel, refeições na estrada, tudo isso... levar o mais longe possível, porque sem o público nada disto faz sentido. Merecem, depois de ouvirem o álbum em casa, poder ir a um concerto e eu dar tudo. Vou onde a música me levar.

Apesar de viver nos Estados Unidos há sete anos, as canções do disco são em português. É na língua materna que melhor se consegue expressar musicalmente?
Quando escrevo e componho é um outro mundo, outro eu. Não penso - se calhar devia pensar (risos) -, é um processo muito natural, vem tudo em português. Tenho duas faixas em que tenho um pouco de inglês, mas vem maioritariamente em português por ser muito natural para mim. A língua portuguesa basta-me e acho importante fazer-se música em português.

Quando foi comemorar com uma amiga a conclusão do curso em Berklee, esqueceu-se da carteira e teve de cantar para pagar o jantar. Esse momento ajudou na sua escolha de vida, entre a música ou um trabalho 'comum'?
É a história da minha vida, devia planear mais as coisas. Entre lavar pratos e actuar preferi actuar. Não foi nessa altura que decidi, porque sempre tive a música na minha vida, mas foi uma fase muito importante porque a partir daí foi pagar muitas refeições com muitos concertos. Soube bem pagar as contas com a arte, com os anos todos que tinha de bagagem.

Como definiria a sua música?
Sou eu. Em género musical, este álbum está no âmbito da pop, mas tem várias influências. Um pouco de jazz no "Às Vezes", um bocadinho de música brasileira na "Vida Imperfeita", rock no "Asas e Dados", world music no "Jassarou", por isso é um conjunto de géneros eclécticos, esquizofrénico, variado.


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