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A banalidade do bem

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
0:00 Quinta feira, 28 de janeiro de 2010

A violência e o caos são telegénicos. A distopia de uma sociedade sem Estado - nestes momentos recordamos a falta que ele nos faz - excita a imaginação dos europeus. Mas no meio da ausência de regras e de Estado o instinto de sobrevivência não resulta apenas em barbárie sem limites.

A Rádio Caraíbas transformou-se num autêntico centro de operações. No início era apenas um guichê de perdidos e achados. Mas porque no Haiti não há Estado passou a ser voz de comando para que os moradores de Port-au-Prince organizassem as suas vidas em comunidade. Para combater o caos e o boato. Para levar os pedidos de ajuda às organizações internacionais. Como nos mostraram alguns canais de televisão internacionais que não se dedicam a voyeurismo, em vários bairros os haitianos organizam-se para se apoiarem uns aos outros. Sem a ajuda de ninguém, juntam o pouco que há para a sobrevivência de todos.

A solidariedade humana não é menos natural do que a barbárie e o egoísmo. Não cabe é em cinco segundos de imagens num telejornal e não alimenta o cinismo sistemático sobre a natureza humana. Mas não é obra de pessoas extraordinárias. Nem é a excepção que confirma a regra. Ela não existe apenas por imposição moral do poder. Surge, na luta pela sobrevivência, tão espontânea como a violência. Porque é tão humana como a violência.

Porque podem


Os bombardeamentos de Gaza foram há um ano. Estive lá há uma semana. É como se o tempo não tivesse passado. Tirando alguns hospitais, nada foi reconstruído. Reuni com deputados nos escombros do que antes era o hemiciclo do único parlamento com poderes efectivos democraticamente eleito do mundo árabe. Israel, com o apoio do Ocidente, achou que devia enviar uma mensagem clara: preferimos ditadores dóceis à vossa escolha livre. As infra-estruturas fundamentais de um Estado já não existem e quem ficou sem casa vive ainda em acampamentos.

Nada foi reconstruído porque nem sequer toda a ajuda internacional disponível entra. Nem cimento, nem gasolina, nem comida ou medicamentos suficientes. E os palestinianos não podem sair. Estão presos e em morte lenta. O que entra passa por túneis ilegais que ligam Gaza ao Egipto. Armas, é verdade. Mas também tudo o que é necessário para sobreviver. Os egípcios anunciaram que vão fechar os túneis. Mas nem por isso vão abrir as suas fronteiras para controlar o que passa. Porque o bloqueio, que não é apenas israelita, tem objectivos políticos. O Hamas é aliado da Irmandade Muçulmana e a Irmandade Muçulmana é o maior inimigo interno da ditadura egípcia. Há que fazer os palestinianos de Gaza sofrer mais um pouco.

Do lado israelita já nem se perde tempo com argumentos. Separado que está o território que sobrou para os palestinianos, continua-se a construir colonatos na Cisjordânia e a preparar uma qualquer próxima ofensiva a Gaza. A estratégia é simples e de longo prazo: correr com os palestinianos das suas terras. Violam impunemente todas as leis internacionais. Porque podem. Porque os EUA acabarão sempre por apoiar tudo o que façam. Porque os ditadores árabes estão mais preocupados com a sua própria sobrevivência. Porque a Europa não existe. Porque a justiça internacional é uma fraude. e podem

Texto publicado na edição do Expresso de 23 de Janeiro de 2010

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Uma humanidade em caminho
Anthos (seguir utilizador), 1 ponto , 4:52 | Quinta feira, 28 de janeiro de 2010

Amar é a coisa mais difícil que existe no mundo. Não me refiro a haver sexo; isto é uma esfrega de mucosas que excite os sentidos até ao alcançar do máximo prazer.
Amar quer dizer sacrifício, abnegação sem limites, doar si mesmos aos outros especialmente a quem nos ama e nós amamos. No Haiti a gente percebi muito bem que era necessária a solidariedade, a união das forças para atingir certos objetivos.
O jornalista escreve uma frase de que gosto: "A solidariedade humana ... surge, na luta pela sobrevivência, tão espontânea como a violência". E' verdade.
Nesta tremenda tragédia os haitianos juntaram-se e ninguém podia fazê-los parar no seu trabalho de "reconstrução", nomeante de recuperar o que restava das suas coisas depois do terramoto. Quando uma mãe ver a sua criança chorar com fome, ela já não percebe nunca e seria disposta a dar a sua vida.
Não comento a secunda parte do artigo porque o caso: Israel e Palestina é obscuro ao máximo para mim e disso nunca pesquei patavina.

António
 
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A Solidariedade dos Povos é Histórica e Universal
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 17:01 | Quinta feira, 28 de janeiro de 2010
Quem é vitima da catástrofe melhor compreende o sofrimento do seu vizinho.Mas a solidariedade dos Povos é também histórica,universal e mais uma vez está presente no Haiti.
 
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