I. O sindicalismo português - provavelmente o mais retrógrado da Europa - é uma máquina de criar ficções. Os nossos sindicalistas conseguem viver no reino fantasioso dos "direitos adquiridos", sem prestar a mínimo atenção à realidade internacional e à realidade de Portugal. Os factos continuam reaccionários para este gente que não quer sair de 1976.
II. Quando se ouve as declarações dos sindicatos, seja dos pilotos da TAP, seja da função pública em geral, a primeira reacção é esta: "mas onde é que esta gente pensa que vive? Na lua?". Fazem declarações e exigências como se não estivessem aqui e agora, no Portugal de 2010. Vivem na terra mágica dos "direitos adquiridos", esse lugar mágico que está acima do bem e do mal.
III. A função pública é rainha deste comportamento amoral. Fizeram uma greve geral, e agora já estão a planear outra. Perante isto, só me apetece dizer uma coisa: o país inteiro é que devia fazer uma greve contra a função pública. Quando vamos aos serviços, somos mal atentidos por gente sempre mal-disposta. Gente que, devido aos "direitos adquiridos", não pode ser despedida, mesmo quando não serve para nada. Estamos reféns, como dizia João Vieira Pereira, do facto de não podermos despedir funcionários públicos. Além disso, os sindicatos apenas lutam pelo aumento pornográfico dos salários. Nunca se vê um esforço, da parte destes sindicatos, no sentido de ajudarem num plano de redução da despesa pública.