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A agenda da comissão

Se seguir a orientação que foi previamente anunciada, vai restabelecer plenamente o seu descrédito.

J.L. Saldanha Sanches* (www.expresso.pt)
0:00 Sábado, 23 de janeiro de 2010

A comissão parlamentar sobre o acompanhamento da corrupção vai começar as suas audições sobre a corrupção começando pelos órgãos institucionais e passando para os órgãos operacionais.

Resultado provável: zero.

As comissões de inquérito parlamentar podem ser muito úteis quando são usadas para ultrapassar as limitações que o Estado de direito - ou as insuficiências do sistema judicial - criam na investigação do crime organizado e da corrupção. Aquele tipo de crime que dispõe de protecção política a nível elevado e cujos autores costumam ver os seus processos arquivados ou acabam absolvidos.

Vejamos a este respeito as experiências das comissões de investigação do congresso norte-americano. Recordemos que o inquérito parlamentar ao caso BPN quase que funcionou dessa forma.

Certas figuras públicas, pelo seu inexplicável enriquecimento ou por outros motivos, são delinquentes notórios: por meio da intimidação ou corrupção do sistema judicial, graças à qualidade dos seus advogados ou pela habilidade com que ocultam as provas, escapam persistentemente à condenação. Começa uma investigação do Congresso perante a qual são intimados a depor.

Se a comissão de acompanhamento da corrupção quiser obter um mínimo de reconhecimento da opinião pública terá que adoptar essas práticas: toda a gente sabe em Portugal o nome de políticos que por motivos não esclarecidos conseguiram conjugar uma actividade política muito intensa com um rápido enriquecimento. A tal questão do enriquecimento provavelmente ilícito.

Seria muito interessante dar-lhes uma oportunidade para explicar como o conseguiram. Como é que eles e a sua família conseguiram acumular tão vastos patrimónios. Não se trata de conseguir a sua condenação até porque muitos dos crimes já estarão prescritos. Trata-se de saber por que motivo não foi possível a sua condenação. Os seus silêncios ou as suas explicações poderão ser muito esclarecedores.

Se assim não for, se a comissão seguir o roteiro do dr. Vera Jardim, com a sua prodigiosa falta de imaginação, vai confirmar tudo o que na rua se ouve dizer sobre ela: que é uma farsa, que os políticos são todos iguais e as outras frases em que se exprime a apatia e a resignação que grassam por aí.

O eng. João Cravinho poderá explicar à comissão como, em sua opinião, se deveria actuar. Fá-lo-á certamente com o brilho e a competência habituais. Mas nada vai adiantar.

A comissão deveria proceder a uma verdadeira investigação assumindo-se como comissão de inquérito e ousar incomodar algumas pessoas. Mesmo que isso provocasse arrepios nalguns dos seus mais conhecidos membros por motivos que eles bem conhecem.

Na comissão de inquérito ao BPN, a maioria PS parou a investigação quando esta começava a ser mais interessante.

Quando a blindagem criada pelo dr. Vítor Constâncio (o sacrossanto segredo bancário dá para tudo) começava a rebentar pouco a pouco.

Conseguiu mesmo assim despertar o interesse público e reabilitar parcialmente a desgastada imagem das comissões parlamentares.

Esta, se seguir a agenda que foi previamente anunciada, vai restabelecer plenamente o seu descrédito.

*Fiscalista

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Janeiro de 2010

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Aos quantos Km vão parar para pensar???
lord byron (seguir utilizador), 2 pontos , 8:18 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Existem pessoas que não perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade… Será possível que este iluminado não veja que aquilo que está a propor é Macartismo Económico?
 
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Não explique, faça
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 0:54 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
Por onde tem andado? Será porque sente, o “terreno” propício às grandes denúncias?

Há anos que o senhor ataca os fracos: barbeiros que não declaram tosquiadelas; restaurantes familiares que não declaram a patanisca; o comerciante de pronto-a-vestir, que manda fazer peças a costureiras, sem factura; o desgraçado que planta couves e que não declara o rabanete que vendeu à beira da estrada; e mais muitos mais, todos pequenos e todos perigosíssimos delinquentes fiscais.

Foi a si que ouvi pela primeira esse termo: delinquentes fiscais.

Ouvi também que os grandes, com contabilidade e “ROC”, não fogem ao IVA como os tais pequenos mas grandes delinquentes fiscais.

Não, esses grandes não fogem ao IVA. Não precisam. Têm pessoas como você (falo dos conhecimentos) a aconselhá-los. Ou teria sido o tasqueiro que não declarou a bifana, a desviar para fora do País os milhares de milhões de que se fala.

Encheu esse peito de ar para atacar Saramago porque vive nas Canárias. E porquê? Rouba-nos alguma coisa? Não. Não rouba. Mas você sabe quem roubou, quem rouba e quem se prepara para roubar. São figuras públicas, como insinua? Pois bem, demonstre a sua coragem e comece a pespegar os nomes de tais criaturas. Não acusando, mas perguntando: Como enriqueceu? Pergunta simples… mas difícil de fazer.

  Pois é, pegar o toiro pelos cornos, não é para todos.
 
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    Re: Não explique, faça    Ver comentário
nao tento (seguir utilizador), 1 ponto , 15:09 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
    Re: Não explique, faça    Ver comentário
CM84 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:51 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
O seu texto...
JCCC (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Sábado, 23 de janeiro de 2010
... fez-me lembrar a desfaçatez de Dias Loureiro, ao ser entrevistado num canal de televisão, aquando das suspeitas levantadas sobre si próprio.

A dado momento disse:

-"Quando cheguei à política não tinha nada..."

Esta afirmação resume verdadeiramente aquilo que são as reais motivações por trás de muitos que aspiram a um lugar político.

Mais não querem que conquistar amizades e conhecimentos que lhes vão ser úteis, passado aquele período breve de governação.

Enquanto lá estiverem (na governação) irão fazer de tudo para não afrontar poderes instituídos nem levantar suspeitas sobre aqueles que lhes vão dar a mão no momento da saída.

É este o motivo pelo qual nunca haverá verdadeira justiça e pelo qual as reais potencialidades do país não evoluirão para níveis maiores do que aqueles que temos.
 
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A nova burguesia no poder.
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 19:08 | Domingo, 24 de janeiro de 2010
O poder precisa,quando há muita ondas nos Jornais, sobre casos de corrupção,de criar umas comissões para tranquiiizar os mais ingénuos.O Zé Povinho -o que ainda acredita em milagres, dorme assim mais descansado.O Cravinho.do PS,por ex.,quando falou na história da corrupção(ele que ainda tem alguns tiques do MES-Movimento de Esquerda Socialista,para quem já se esqueceu) foi colocado administrador de um Banco em Londres e o seu filho secretário de estado.É o sistema a funcionar e o velho "orientador da classe operária"sabe bem que é assim.A nova burguesia instalo-se no Terreiro do Paço.
 
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Comissões e comissões
carteiro2666 (seguir utilizador), 1 ponto , 1:31 | Terça feira, 26 de janeiro de 2010
Que eu saiba, e pelo que ouvi do próprio Vera Jardim, a comissão a que preside não tem por missão fazer nenhum inquérito à corrupção, mas fazer um estudo desta, de modo a dele sair uma proposta de alteração da legislação que seja mais eficaz, e depois, a partir daí, é que terá de haver um acompanhamento da situação, e isto se a tal legislação vier a ser aprovada. Mas já existe legislação. Se ela é eficaz ou não, depende de se é aplicada ou não. E não venham com atropelos ao Estado de Direito. A corrupção tem que ser atacada como um outro crime qualquer: os roubos, os homicídios, as ofensas corporais, os crime eleitorais: cada um à sua maneira, mexe com valores jurídicos diferentes, não existe um mais importante que os outros, com excepção dos homicídios que, por razões que têm a ver com a própria subsistência da espécie, têm uma importância suplementar em qualquer ordenamento jurídico. Há anos que o Sr SS nos brinda com mais do mesmo. Façamos nossas as palavras do leitor CM84: não chegamos a este momento civilizacional, para andarmos para trás e para perseguir barbeiros que não declaram tosquiadelas. E viva Saramago, o qual certamente está a anos luz destas crónicas e faz muito bem! Viva Saramago! Cptos Cantinflas
 
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