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A abominável avaliação dos professores

19:27 Quarta feira, 5 de março de 2008
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Avaliação: as razões da discordia
cidadaoiberico (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 11:10 | Quinta feira, 6 de março de 2008
http://ferrao.org/2008/03...
http://educar.wordpress.c...

Avaliação dos Professores
 
Tem-se falado muito e mal da avaliação dos professores. Nota-se que pouca gente sabe do que se trata na realidade.
Para defender o ponto de vista do governo, diz-se que não havia até agora... O que não é de todo verdade. Até agora, os professores tinham de apresentar um relatório crítico de actividade, que era analisado por uma comissão de avaliação, e de fazer formação na qual tinham de ser aprovados. Se não houvesse anormalidades, os docentes teriam "Satisfaz". Se o professor não tivesse cumprido as suas funções ser-lhe ia atribuída a menção de "Não Satisfaz". Para obter a classificação de "Bom" e de "Muito Bom" teria de se submeter a um processo com várias etapas de burocracia. Existia um sistema de avaliação, ao contrário do que o Primeiro-Ministro defende ao tentar, mais uma vez, enganar os portugueses, tentando colocá-los contra os "professorzecos" (como a Ministra da Educação os apelida no Parlamento). O Primeiro-Ministro podia dizer que não concordava com ele, mas não pode continuar a mentir, dizendo que não havia.
Passando ao novo modelo de avaliação de desempenho, que não é feito para avaliar os professores, mas para evitar que eles progridam e criar um sucesso fictício e estatístico para europeu ver. Todos reconhecem que não é um modelo perfeito, mas acham que mais vale um modelo imperfeito, subjectivo e injusto do que dialogar com os professores até se criar uma avaliação justa. Defendem que num país em que reina a injustiça não vale a pena avaliar os professores com equidade e justiça.
É um sistema injusto e impraticável, por vários factores:
1.º Os professores titulares e avaliadores foram escolhidos pelos anos de serviço e não pelo mérito nem pela competência (onde está a preocupação com o mérito e com a excelência?);
2.º Os professores que vão avaliar não têm formação na supervisão de aulas;
3.º Teremos professores de Francês a avaliar aulas de professores de Inglês, e de Educação Tecnológica a avaliar docentes de Educação Física ou vice-versa;
4.º Em muitos casos, os professores avaliados têm muito mais formação do que os avaliadores;
5.º Os professores titulares vão avaliar se os outros recorrem às novas tecnologias e muitos dos avaliadores não sabem enviar um mail, ligar um computador ou o que é um powerpoint;
6.º Os titulares vão avaliar o sucesso dos outros, quando, em grande parte dos casos, são eles que têm uma maior percentagem de insucesso;
7.º Os avaliadores vão avaliar professores de níveis de ensino diferentes daqueles que estão habituados a leccionar, sendo o discurso do docente obrigatoriamente distinto;
8.º Os professores perderão autoridade na sala de aula, perante os seus alunos, no dia em que entrar um titular para avaliar o professor;
9.º Só os resultados dos professores de Língua Portuguesa e de Matemática poderão ser confrontados com os dos Exames Nacionais do 3º Ciclo, o que é uma injustiça para os docentes dessas disciplinas;
10.º Os professores só ficarão com as turmas com alunos com mais dificuldades, caso não possam fugir, pois terão famílias para sustentar e empréstimos para pagar;
11.º Um professor que queira ser honesto e exigente será avaliado negativamente e corrido do ensino;
12.º Serão premiados os professores de disciplinas que não dêem testes;
13.º Se um professor tiver o azar de ter um aluno que abandone a escola para emigrar ou que os pais não tenham condições para o manter a estudar, será penalizadíssimo na sua avaliação;
14.º Se um docente tiver o azar de perder um familiar próximo ou a sorte de ter um filho, será gravemente penalizado na sua avaliação, se faltar os dias a que tem direito por lei;
15.º Se acompanhar alunos de algumas turmas numa visita de estudo e deixar outras turmas com substituição, também é considerada falta de assiduidade às actividades lectivas, imagine-se!!!!
16.º Como os avaliadores e os avaliados já leccionam juntos há muito tempo, há colegas de trabalho que não se falam e os titulares podem aproveitar para se vingar e estragar a vida aos avaliados...
17.º Numa primeira fase, os titulares não serão avaliados por ninguém (onde está a excelência?);
18.º Não vale a pena ter "excelente" ou "muito bom", porque já não haverá vagas para titulares, quando nos for permitido tentar subir na carreira;
19.º Os resultados da avaliação dos alunos serão comparados entre disciplinas com competências totalmente diferentes. Por exemplo, ao comparar-se os resultados de Matemática com os de Educação Física, descobre-se facilmente qual o professor que sairá penalizado e terá de ir para o desemprego, se obtiver duas avaliações "Regulares";
20.º Os professores serão avaliados pelo recurso às novas tecnologias e as escolas não têm projectores nem telas nas salas, as tomadas não funcionam, a electricidade desliga-se constantemente, nem há extensões suficientes!
21.º Os docentes serão avaliados pelas fichas formativas que forneçam aos alunos e só podem tirar fotocópias de testes de avaliação sumativa e, quando as escolas forem entregues às câmaras, nem a isso terão direito.
Estas são algumas situações reais, haverá muitas outras que eu desconheço. Só um louco pode achar isto positivo, a não ser que se queira destruir de vez com o ensino público, enviando todos os professores para o desemprego.
O que se conseguiu até agora com o novo modelo de avaliação:
a) Há um constrangimento entre os professores titulares e os "professorzecos";
b) Não há diálogo entre os docentes, havendo um "ruidoso" silêncio sepulcral na sala de professores;
c) Não há partilha de materiais por causa da competição, pois as quotas, que ainda não foram publicadas, serão muito reduzidas;
d) Estão todos desmotivados;
e) Os professores estão a entrar na escola às 8 horas e 30 minutos e a saírem depois das 22 horas, sem que ninguém lhes pague horas extraordinárias, a analisar grelhas, indicadores e instrumentos de avaliação, como se estivessem a cavar a sua própria sepultura;
f) Não há tempo para preparar aulas, desenvolver estratégias diferenciadas, elaborar e corrigir testes.
Se nos aspectos que eu referi, houver algo que não seja correcto, agradeço que me provem o contrário pelo e-mail: salvarescola@gmail.com. É evidente que esta avaliação só terá efeitos em 2009, porque as injustiças e os processos em tribunal serão tantos que alguém acordará e mudará tudo outra vez, mas, até lá, seremos umas cobaias de algo que sabemos que foi feito por alguém que não conhece a realidade das escolas.
Sinceramente, digam-me se os professores conscientes não terão direito há indignação.
Gostava de poder explicar estes aspectos ao Primeiro-Ministro e propor um modelo de avaliação mais simples, justo e eficaz, mas ele não me recebe, porque não gosta de ouvir quem está no terreno e porque não sou militante socialista. Sou um reles "professorzeco", como nos qualificou a Ministra, mas vindo dela só pode ser um elogio, porque eu sei desde muito novo que os Açores fazem parte da República Portuguesa.
Já que a melhor arma é a escrita vou escrever tanto até ser ouvido por quem possa salvar a Educação.
 
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anjogama (seguir utilizador), 1 ponto , 23:50 | Quinta feira, 6 de março de 2008
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lunablind (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Sexta feira, 21 de março de 2008
professores deviam ter vergonha
Tokarev (seguir utilizador), 1 ponto , 9:48 | Quinta feira, 6 de março de 2008
Fautores da maior iliteracia entre os países da Europa, colocando os portugueses ao nível cognitivo dos romenos e albaneses, os professores recusam-se agora a prestar provas. Quando é po demais evidente que já provaram a sua inadequação para a função e deviam ser sumariamente despedidos. Com justíssima causa.
 
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userEX136473 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:46 | Quinta feira, 6 de março de 2008
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Mjwolf (seguir utilizador), 1 ponto , 22:47 | Quinta feira, 6 de março de 2008
Uma mãe agradecida
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 11:14 | Quinta feira, 6 de março de 2008
Chegada por mail da Luísa S.

Logo depois de ter lido aqueles documentos sobre a avaliação dos professores, pensei como lhe deveria agradecer, Srª Ministra. Afinal, aquelas horas passadas diariamente junto do meu filho a verificar se os cadernos e as fichas estavam bem organizados, a preparar a mochila e as matérias a estudar para o dia seguinte, a folhear a caderneta escolar, a analisar e a assinar os trabalhos e os testes realizados nas muitas disciplinas, a curar a inflamação de uma garganta dorida pela voz de comando “Vai estudar!” ou pela frase insistentemente repetida, de 2ª a 6ª feira:”DESPACHA-TE! AINDA CHEGAS ATRASADO!” ou o incómodo e o tempo perdido para o levar diariamente à Escola, percorrendo, mais cedo do que seria necessário, um caminho contrário àquele que me conduziria ao meu emprego, tinham finalmente, os seus dias contados. Doravante, essa responsabilidade passaria para a Escola e, individualmente, para cada um dos seus professores. Finalmente, poderei ir ao cinema, dar dois dedos de conversa no Café do Sr. Artur, trocar umas receitinhas com a minha vizinha (está entrevadinha, coitadinha!) ou acomodar-me deliciosamente no sofá da sala a ver a minha telenovela brasileira preferida.
O rapaz ainda me alertou para os efeitos das faltas o conduzirem à realização de uma prova de recuperação. Fiz contas e encolhi os ombros - poupo gasóleo e muitos minutos de caminho, de tráfego e de ajuntamentos. Afinal, ele até é esperto e, se calhar, na internet, encontra alguns trabalhos ou testes já feitos… Sempre pode fazer “copy – paste”… Efectivamente, as provas de recuperação parecem-me a melhor solução para acabar com a minha asfixia matinal e vespertina. Ontem, a minha vizinha da frente, que tem dois ganapos na escola do meu, disse-me que, se ele continuar a faltar, o vêm buscar a casa, e que, no próximo ano lectivo, os professores vão tomar conta deles depois das aulas.
Oiro sobre azul. Obrigada, Srª Ministra. A Senhora é que percebe desta coisa de ser mãe! A Senhora desculpe a minha ousadia, mas será que também não seria possível fazer uma lei para os miúdos poderem ficar a dormir na escola? Bastava mandar retirar as mesas e cadeiras das salas de aula e substituí-las por beliches, à noite. De manhã, era só desmontar e voltar a arrumar. Têm bar, cantina e até duche. Com jeito, eles ainda aprendiam alguma coisinha sobre tarefas domésticas, porque, em casa, não os podemos obrigar a fazer nada ou somos acusados de exploradores do trabalho infantil com a ameaça dos putos ainda poderem apresentar queixa junto das autoridades policiais.
Ao Sábado, Srª Ministra, podiam ocupá-los com actividades desportivas ou de grupo, teatro, catequese, escuteiros, defesa pessoal…
O ideal mesmo era que os pudéssemos ir buscar ao Domingo, só para não se esquecerem dos rostos familiares.
O meu medo, Srª Ministra é aquela ideia que a minha vizinha Sandrinha, aquela dos três ganapos, comentava hoje comigo. Dizia-me que a Senhora Ministra quer criar o ensino doméstico. Eu acho que ela deve ter ouvido mal ou então confundiu o jornal da SIC com aquele programa da troca de casais do canal 24. Eu acho que isso não vinga em Portugal, porque não temos a extensão de uma América do Norte ou de uma Austrália e, por outro lado, tinha que comprar e equipar os VEI (veículos de educação itinerante), o que iria agravar mais o deficit das contas públicas e o insucesso dos nossos miúdos. Foi isso eu disse à Sandrinha. Acho que ela deve estar enganada. Logo agora, que podemos respirar de alívio porque não temos que nos preocupar com a escola dos garotos, essa ideia vinha destruir tudo, porque os obrigava a ficar em casa para receberem os VEI e aos pais ainda iria ser exigido algum acompanhamento.
A Senhora faça é aquilo que decidiu e não oiça o que os inimigos dos pais e das mães lhe tentam dizer (já agora, lembre-se da minha sugestãozita!). Assim, os professores, com medo da sua própria avaliação, passam a dar boas notas e a passar todos os miúdos e, desta forma, o nosso país varre o lixo para debaixo do tapete, porque é muito feio e incomodativo mostrarmos, lá fora, que somos menos capacitados que os nossos “hermanos” europeus.

Uma mãe e encarregada de educação agradecida
 
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Actas provam que M.Ed. promove facilitismo
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 11:33 | Quinta feira, 6 de março de 2008
Este extracto de acta de uma reunião do Conselho Pedagógico foi enviado por alguém que não quis ser identificado porque, segundo afirmou, há medo e intimidação nas escolas. O aperto para passar os alunos a todo custo é flagrante, para o governo apresentar sucesso no sector, nem que para isso destrua gerações e comprometa o futuro do país.

Leiam e retirem as vossas conclusões.

Informações da reunião com um responsável de uma DRE (7 de Janeiro de 2007)

* Os resultados das Provas de Aferição deste ano (quase meio milhão) são difíceis de comparar com os anos anteriores, dado que, anteriormente, essas provas eram aplicadas por amostra. Todas as escolas devem interpretar esses resultados, definindo estratégias de melhoria;
* Os Conselhos Executivos têm de ter particular cuidado na nomeação dos correctores de exames. Segundo a responsável da Direcção Regional da Educação, “Os alunos têm direito a ter sucesso. Talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. O que honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos”;*

Como estas há muitas, mas agora vamos comerçar a circular as politicas impostas pelo ministério. As que fizeram encher o balão que estorou.

 
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Director Regional Educação Avalia Governo
cidadaoiberico (seguir utilizador), 1 ponto , 11:52 | Quinta feira, 6 de março de 2008
O autor este texto é o meu colega e amigo José Manuel Silva, presidente do Conselho Directivo da ESE de Leiria e ex-director da Direcção Regional de Educação do Centro. É claro que José Manuel Silva bateu com a porta e demitiu-se da DREC porque não é homem para suportar má educação e intolerância.
Como homem que conhece as escolas, sabe que não é com discursos ofensivos, cheios de lugares comuns e muito pouca verdade, que se motivam os professores. Por isso, teve a coragem de dizer não.

A questão central

Com os professores na rua e uma boa parte da opinião pública a mostrar compreensão pelos protestos, mesmo alguma da intelligentia como ainda ontem se viu no Prós e Contras, o Ministério da Educação está em campanha para mostrar "a obra" e criar ruído.
Naturalmente que nem tudo tem sido mau, eu próprio nalguns posts o tenho reconhec ido, e não vale a pena ter visões maniqueístas da realidade, podemos discordar de algumas medidas mas saber reconhecer os aspectos positivos que também os há.
Mas a questão não é essa, isso é querer lançar uma cortina de fumo sobre o essencial, a "questão central" como gosta de dizer Valter Lemos é a forma completamente inábil para não dizer despudoradamente acintosa como os professores têm sido tratados desde o início do mandato desta equipa do ME
Jamais esquecerei uma das primeiras reuniões em que participei enquanto DREC, com todo o estado maior do Ministério, em que logo os professores foram o "bombo da festa" e tendo eu chamado a atenção para a necessidade de a Ministra dar uma palavra de incentivo aos colegas a Sr.ª me ter respondido que os "professores queriam era que andassem com eles ao colo", o que me levou a ripostar em tom de brincadeira se ela às vezes não gostava também de um "colinho". A gargalhada geral não disfarçou o tom de crítica severa aos professores, apesar de quase todos à volta da mesa serem, ou terem sido, professores.
O que neste momento está em causa não é a obra do ME, é o grito de revolta de uma classe farta de ser ofendida e humilhada e como disse outro dia Marcelo Rebelo de Sousa se há coisas positivas para mostrar, o que não teria sido possível fazer se em vez de se estar contra os professores, se tivessem os professores como aliados. Esta é que é a verdadeira "questão central".

Publicada por José Manuel Silva em 4.3.08 no blog:

www.campolavrado.blogspot.com
 
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Descrição do «cartoon»
Philosophos (seguir utilizador), 1 ponto , 17:01 | Quinta feira, 6 de março de 2008
Esta avaliação é um monstro diabólico cor-de-rosa, a cor socialista. Em si mesmo, é totalmente mau. É um diabo burlesco, como se pode ver pela cauda e pelos chifres; é opressivo e destina-se a aterrorizar e destruir os professores, sem que daí surja algo de bom, a não ser para o próprio monstro.

Os alunos do «cartoon», que não têm nenhum material escolar nem possuem nada que os identifique como alunos, não têm nenhum respeito pelo professor. Empurram-no para o monstro, com o maior sarcasmo possível, para terem o prazer de o verem ainda mais achincalhado. Sabem que ele, ao ser submetido a esta forma de avaliação, passará a ter só negativas. Habituá-lo a isso, é para eles, motivo de satisfação, embora não lhes dê nenhuma valorização pessoal; a destruição do professor é a satisfação deles, visto que parecem já estar habituados às negativas.
 
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O carro à frente dos bois
Manuel.Araújo (seguir utilizador), 1 ponto , 13:59 | Sexta feira, 7 de março de 2008
A avaliação dos recursos humanos de uma organização é importante, mas quando está alinhada com a visão, a estratégia e os seus objectivos. Os seus clientes ou utentes, pelos quais a organização justifica a sua existência, não estão directamente interessados na avaliação dos seus colaboradores internos. Ela é instrumental. Os clientes estão interessados principalmente na qualidade dos produtos e serviços. Continuar a ser cliente depende, essencialmente, da promessa da organização ser cumprida e de verem as suas necessidades e expectativas satisfeitas. No fundo, o que importa para os clientes ou utentes de um serviço é o resultado. Isto é, visto de fora, o importante é avaliação da organização e dos seus serviços e não a avaliação dos seus colaboradores que é um assunto de gestão interna. Quando há liberdade de escolha e o cliente é competente para apreciar os serviços, ele resolve bem a questão. Se não gosta ou não se sente satisfeito, muda. Na escola portuguesa tal não acontece porque não há liberdade de escolha das famílias, mesmo entre escolas públicas. As crianças e as famílias são obrigadas a consumir os serviços educativos mesmo que não prestem (as famílias não podem escolher as escolas e as escolas não podem escolher os professores). Neste caso, o Estado tem, no mínimo, a obrigação de garantir a sua qualidade. Em vários países europeus, como em Inglaterra, existe uma Agência do Estado mas independente do Ministério da Educação que avalia a qualidade das escolas (quer sejam do Estado central, municipais, confessionais, sociais, cooperativas ou privadas). E faz a avaliação de igual forma e transparência. O relatório anual da inspecção é publicado na Internet e todas as famílias podem aceder à avaliação e classificação da escola (excepcional, bom, suficiente ou não aceitável), com a descrição detalhada, em 10 ou 12 páginas, dos critérios observados, em comparação com o ano anterior. Esta transparência e rigor na avaliação dos resulatdos é importantíssima. Curiosamente (ou talvez não) quando o inspector acaba o relatório e o envia para a escola com as suas conclusões, a carta é dirigida aos alunos (Começa sempre assim: "Dear pupils (queridos alunos, quando estive aí convosco há uma semana...etc.)". Em Portugal, não há avaliação e muito menos é independente. A inspecção do Ministério é burocrática e parcial porque julga em causa (casa) própria, por isso é completamente ineficaz. Neste quadro, o que importa verdadeiramente para as famílias não é a avaliação dos professores que é um problema laboral. O que interessa para as famílias é a avaliação independente e transparente das escolas. Para que as famílias saibam mais sobre as escolas dos seus filhos e para que as escolas assim escrutinadas publicamente possam ter o incentivo de procurarem fazer melhor. Com a actual desfocagem do problema, estão-se a perder energias numa causa pouco interessante. As famílias, actualmente, assistem a manifestações que são essencialmente laborais e a conflitos de relacionamento entre o patrão (Ministério) e os empregados (Professores) que pouco lhes interessam e, no final, pouco vão contribuir para a qualidade mas apenas para simplesmente arrumar alguns vencimentos nas carreiras da função pública. Não é por aí que as escolas vão melhorar. O importante é fazer a avaliação de todas as escolas, independentemente da sua natureza, através de uma agência independente e tornar os resultados públicos, acessíveis na Internet. Depois a questão da avaliação dos professores seria apenas um assunto importante mas apenas interno de cada escola. Cada uma decidiria a forma como esse esse instrumento seria importante para melhorar a sua classificação e qualidade. Se não se quiser ir por aqui, a única solução que resta será dar liberdade de escolha (o que é extraordinariamente dificil porque o sector privado em Portugal é residual, especialmente ao nível do primeiro e segundo ciclo onde os problemas são maiores). Então, pelo menos que se dê liberdade de escolha entre escolas públicas ou com contratos de associação para que as famílias possam pressionar, desta forma, a melhoria do desempenho das escolas e dos professores que lá trabalham. Relativamente à questão actual da avaliação dos professores e ao conflito laboral existente (disfarçado de defesa da escola pública que é, neste contexto, disparate e cortina de fumo), ele só demonstra a falência do sistema. Não é verdade que os conflitos numa organização aumentam quando ela se aproxima duma situação de dificuldade? E que a situação de dificuldade resulta do facto dos clientes ou utentes terem deixado de estar interessadois nos serviços dessa organização?
Actualmente, as famílias são obrigadas a "adquirir gratuitamente" os serviços educativos numa determinada escola mesmo que não gostem dela. Por isso, não havendo liberdade de escolha, concentremo-nos, então, na avaliação transparente da escola e não na avaliação dos professores. Não ponhamos o carro à frente dos bois. Não resulta, perdem-se energias e é factor de distracção!
 
 
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A avaliuação dos professores
JoaquimVaz (seguir utilizador), 1 ponto , 18:39 | Quarta feira, 19 de março de 2008

Dizem os professores que sempre havia uma avaliação, pelo que esta não é necessária.De facto, havia uma avaliaçãozinha, que nem sequer era tão rigorosa como a dos alunos do 12º Ano... Sabemos que as carreiras função pública se encontravam divididas em categorias e estas em classes; e que os lugares dentro destas se encontravam estabelecidas da base (muitos) para o topo (poucos), na proporção de 1 de 1ª classe, 2 de 2ª e 3 de 3ª, de modo a formar um cone harmonioso, de acordo com os conceitos de muito bom, de bom ou, apenas suficiente...É, aliás, a distribuição normal que todos os fenómenos da vida nos apresentam. Em obediência às inevitáveis leis da Estatística.Com o advento do 25 de Abril, e por força do poder reivindicativo de funcionários e sindicatos, estas regras foram-se invertendo, ao ponto de:Os quadros se tornarem “horizontais” , isto é, as vagas de uma dada categoria passaram a ser fixadas em bloco, sem qualquer classe estipulada; assim uma categoria tinha, 6 vagas que podiam todas ocupadas, por exemplo por 6 técnicos de 3ª, por 6 técnicos de 1ª ou qualquer outro arranjo possível.Este desbloqueamento mostrou-as ainda insuficiente, face a constantes reivindicações e, assim, foram surgindo as “diuturnidades”, os “escalões”... e as promoções automáticas ou com base em concursos meramente documentais (avaliação). O modelo de avaliação de desempenho dos professores, serve para avaliar os professores, e evitar que todos eles progridam rapidamente, invertendo-se o vértice da pirâmide (100 directores, 10 encarregados, 1 operário).Mau grado toda a litania corporativa, todos nós sabemos que tem de haver alguma contenção na progressão nas carreiras e também que os professores não aceitam esta contenção. Donde qualquer modelo de avaliação individual estar sempre destinada ao fracasso...Assim, há que procurar outros modelos de avaliação aos quais os professores (empregados) não se possam eximir, nomeadamente avaliando as escolas (entidades patronais) para que o nível dos alunos (produto acabado e comercializado) possa corresponder às expectativas dos pais (que pagam o ensino) e do País que nos acolhe a todos.Os professores têm de compreender que são meros elos no processo de ensino, o qual, em última análise, se destina aos alunos...

 
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