1 Que a crise em V não seja afinal um W
São apenas sinais ténues que o pior já passou, dizem os optimistas. A crise em V pode afinal ser uma crise em W dizem os pessimistas. Tal como os comboios: cuidado que uma crise pode esconder outra!
2 Que os juros congelem
É o pior cenário, o do aumento dos juros, para as famílias e para a dívida pública. Claro que isso vai depender da inflação. Por isso, figas para que os preços se mantenham controlados.
3 Não atrapalhem!
Os agentes económicos já têm de lidar com o mercado, a economia, a justiça e um sistema fiscal complexo e pesado. Com o país em "banho-maria" político começamos o ano com a eterna esperança que é desta que nos deixam trabalhar. Por favor não mudem a regras a meio do jogo.
4 Que o Brasil e Angola se aguentem firmes
São dois dos nossos principais parceiros comerciais e que parecem ter sobrevivido à crise. Façamos figas para dar uma hipótese ao nosso sector exportador.
5 Parem de ajudar quem não tem salvação
De vez em quando, pressionados pelos media, pelos sindicatos e pelos partidos da oposição, um qualquer político part-time acha que pode mudar o mercado. Puxa dos milhões e salva uma empresa e alguns empregos apenas para calar a opinião pública. Seria mais produtivo darem o dinheiro directamente às pessoas que ficaram sem emprego...
6 Que o BCP não caia da corda bamba
Foram anos terríveis e que resultaram num banco descaracterizado e sem estratégia aparente que tenta passar entre os pingos da chuva. Não este, mas um BCP sólido e eficiente faz muita falta à economia portuguesa.
7 Definam estratégias!
Se não o fizeram na última década a esperança é pouca que o actual Governo, que parece incapaz de planear uma simples lista de supermercado, consiga definir onde quer que Portugal esteja daqui a dez anos. Pedir não custa, se bem que fico com a sensação que desperdicei um desejo em vão.
8 Que a supervisão mude mesmo
Para não termos de assistir a mais casos como os do BPN e BPP, para que centenas de pessoas não fiquem sem nada de um dia para outro por acreditarem num banco, supostamente vigiado pelo Banco de Portugal e por auditores. Mas ao termos como ministro das Finanças o ex-presidente da CMVM e que, aliás, quer ser governador do Banco de Portugal, acho que podemos todos respirar de alívio...
Um bom 2010 para todos.
Texto publicado na edição do Expresso de 31 de Dezembro de 2009