Numa tarde de terça-feira, a cerca de um ano das eleições, Jorge Sampaio resolveu anunciar, de surpresa - mas sem surpresa -, aquilo que já vinha a prometer há muito tempo: a sua candidatura à Presidência da República. Convocados os jornalistas - e pouco mais do que isso -, dirigiu-se ao Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa acompanhado da sua mulher, Maria José Ritta, para aí lhes comunicar (e ao país) a sua decisão de concorrer ao lugar então ocupado por Mário Soares. Com este acto inesperado, Sampaio antecipava-se a vários candidatos que se mantinham ainda indecisos, em particular o ex-Presidente Ramalho Eanes, de cuja candidatura se falava, e principalmente Cavaco Silva, o ainda primeiro-ministro, que já havia anunciado em Janeiro a sua decisão de sair do governo.
O "anúncio da reitoria" deixou estupefactos vários dirigentes políticos do Partido Socialista, em especial o seu líder, António Guterres, que não esperava nessa altura o anúncio, tanto mais que Jorge Sampaio fora eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tendo mandato até 1997. Considerada por observadores políticos e jornalistas como um flop, a ida de Sampaio à Reitoria acabou por se manifestar uma decisão acertada, pois um ano depois a história viria a dar-lhe razão.