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'24'

8:00 Segunda feira, 19 de janeiro de 2009

As séries americanas mais populares dizem-nos muito sobre o ar dos tempos nos EUA. E poucas disseram tanto sobre o ciclo que acaba nesta terça-feira como "24". O que marcou todas as polémicas em torno da série foi, antes de mais, a justificação da tortura no combate ao terrorismo. E, apenas como metáfora, "24" serve bem para retratar a degradação moral a que assistimos durante o reinado de George Bush.

Nos EUA, a tortura nada tem de novo. Assim como não têm as violações aos direitos cívicos, a ocupação de outros países, os assassínios de líderes políticos no estrangeiro, as prisões ilegais... O que é novo é a legitimação ideológica de tudo isto. A começar pelas palavras. Tortura, assassínio, inimigo, guerra ou prisioneiro ganharam novos sentidos. Como se viu em Guantánamo, todos os conceitos se perderam numa nebulosa ética, usando o medo como uma forma de destruir os alicerces morais em que assenta o Estado de Direito.

"24", que estreou dois meses depois do 11 de Setembro, limitou-se a popularizar a novilíngua neoconservadora. Serviu, como "007", "Rambo" ou "MacGyver", para reproduzir o discurso do poder. Depois de já ter estreado, vai agora ser retomada a sétima série. Começou com o agente Jack Bauer a justificar-se perante o Senado. Agora continua, já com a sua unidade antiterrorista desactivada e com algumas dúvidas morais a assaltarem o protagonista. Não chega a ser um pedido de desculpas. Mas é um sinal de que as coisas estão a mudar.

Conselhos do cardeal

Dirigido-se às jovens portuguesas, o cardeal-patriarca de Lisboa deixou um conselho: "Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meterem-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam". É comovente ver uma instituição que impede a ordenação de sacerdotisas, que gostaria de proibir o divórcio e que trata as mulheres como mero objecto de reprodução preocupada com os direitos das ditas. Suponho que brevemente veremos o cardeal a dirigir-se aos homossexuais alertando para a discriminação a que o Islão os remete.

Um dos problemas de muitas sociedades muçulmanas não é a sua religião. É não terem conquistado essa grande vitória da civilidade: a de remeterem as igrejas para o seu devido lugar. Só não é arriscado casar com um católico porque não é o cardeal-patriarca a determinar a conduta dos cidadãos e a lei do Estado.

Sempre contra a vontade dos respectivos cleros, a maioria dos países europeus laicizou os seus Estados e as suas sociedades. E impôs a tolerância religiosa como norma de convivência. Esperemos que essa conquista tenha sido eficaz e que as palavras do cardeal provoquem a repulsa pública que merecem. E para todas as pessoas civilizadas se recordarem que, assim como os católicos são diferentes entre si (apesar de em Portugal muitos espancarem as mulheres, a maioria não o faz), o mesmo acontece com os muçulmanos, que são outras coisas além da sua religião. A começar por este simples facto, que, por Policarpo se ter referido nas suas declarações ao "país deles", suponho que desconhece: pouco há em comum entre um muçulmano da Arábia Saudita, da Bósnia, de Moçambique, do Afeganistão, da Albânia ou da Indonésia. Mau sinal é ter de repetir estas evidências a uma pessoa com responsabilidades sociais.

Daniel Oliveira

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visão grosseiramente simplista e longe da verdade
odisseia na terra (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 10:15 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
este seu artigo sobre as palavras de Dom Policarpio é conscientemente impreciso, falso e mentiroso.

o Daniel depois do que aqui diz deve neste mesmo jornal tomar posição sobre as sociedades arabe/muçulmanas e respectivos direitos, liberdades e garantias

é sobre isto no fundo que se está a falar... espero que ao menos se tenha dado conta disso
 
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Não há inferno
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 10:01 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
Agradeço ao cronista o ensejo que me deu para fazer este comentário e acho que o cronista deve agradecer ao cardeal-patriarca a oportunidade da crónica.
Devemos ter em atenção que bem vistas as coisas foi Policarpo quem impulsionou Daniel a escrever um artigo que pode parecer laicizante. Há pouco tempo o falecido papa JP II disse ao Mundo que «Não há Inferno» e, com 3 palavras apenas, fez mais pelo laicismo e gerou num só momento mais laicos do que Daniel poderia gerar a vida inteira por mais crónicas e livros que escrevesse. A maioria dos países europeus laicizou os seus Estados ao longo de séculos com ajudas de membros do clero que pagaram (alguns de que maneira) a acção libertadora que desenvolveram.
Se o Daniel quer ajudar os seres humanos a conquistarem uma grande vitória explique o que é deus e qual a diferença entre deus e “Deus”. Quem toma “Aspirina” deve saber de que matéria é feita a “Aspirina” bem como os diferentes efeitos que o ácido acetilsalicílico pode causar em organismos de pessoas diferentes. Os crentes devem saber o que é deus e como “Deus” é feito e comercializado.
 
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    Re: Não há inferno    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 15:00 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
    Re: Não há inferno    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 18:15 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
Onde pára o jornalismo independente?
Pedro Lemos (seguir utilizador), 1 ponto , 19:01 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
Tenho uma pergunta muito simples a fazer ao sr Daniel Oliveira. Se fosse ao contrário, isto é, se viesse do mundo muçulmano um qualquer ataque à religião católica reagiria o jornalista do mesmo modo, ergueria com a habitual veemência que o caracteriza o seu protesto... contra a discriminação religiosa?
 
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O Daniel dá treguas
Vistodaqui (seguir utilizador), 1 ponto , 19:36 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
O Sr. Daniel esta semana, talvez a conselho dos seus amigos do Hamas, deu tréguas a Israel. Fez bem, porque o que é demais não presta. No entanto, no seu presente comentário sobre as malvadezes dos Estados Unidos, no parágrafo que começa com a sigla EUA, poderia tirar esta e substituí-la por União Soviética e tudo se ajustaria ao milímetro ao que fez a "mãezinha russia" de que ele parece tanto gostar. Substituindo Guantánamo por Gulag, como é óbvio.
 
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Que Susto!
Alfredino Cunha (seguir utilizador), 1 ponto , 19:52 | Segunda feira, 19 de janeiro de 2009
Ontem eram duas da manhã, vi um programa de tv que era a Clarinha e mais 4 ingénuos úteis. Um deles era o nosso Daniel que defendia verbalmente o que aqui escreve, quanto às declarações do Cardeal Patriarca.

Aquilo era para ter sido um programa descontraído, crítico e divertido mas está transformado num debate entre pessoas que pouca mais valia metem nos assuntos como se pode ver pela amostra junta.

Dá é para perceber o estado infantil do pensamento cultivado pela chamada esquerda caviar. Espero que a amostra não seja representativa.

A Clarinha pregava a educação religiosa nas escolas sem o que era melhor o Cardeal estar calado.

Um tal Luís Nunes dizia que estava muito ofendido porque tinha amigos maometanos.

Aquilo tudo era um verdadeiro susto, tal como o presente artiguinho.

 
 
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Enfim...
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 3:05 | Terça feira, 20 de janeiro de 2009
Ora aí está a poia habitual do militante do bloco de esterco...
 
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Se cristianismo=islão, não existia a secularização
Hyperion (seguir utilizador), 1 ponto , 15:32 | Terça feira, 20 de janeiro de 2009
"Um dos problemas de muitas sociedades muçulmanas não é a sua religião. É não terem conquistado essa grande vitória da civilidade:a de remeterem as igrejas para o seu devido lugar"

Na sua reduzida capacidade para o raciocínio, Daniel Oliveira é incapaz de observar a associação que existe entre o tipo de religião que uma civilização segue e o caminho evolutivo das sociedades que a compõem. No mundo pessoal de Daniel Oliveira, a secularizaçao das sociedades fez-se contra as religiões e apesar da opisição destas, isso significa que para Daniel Oliveira, independentemente do tipo de religião que exista, os movimentos de secularização acontecerão expontâneamente.
O que alguém com capacidade de raciocínio e observação constatará, ao contrário de Daniel Oliveira, é que, se a secularização fosse independente do enquadramento cultural/religioso, esta teria acontecido de forma aleatória e igual entre países cristãos e muçulmanos. O que se observa, no entanto, é que TODOS os países cristãos são hoje seculares e protejem a liberdade religiosa, mas TODOS os países muçulmanos, desde Marrocos á Indonésia possuem elementos da lei islâmica nos tribunais e proibem a liberdade religiosa, não existindo em nenhum deles sequer liberdade para construir ou reparar uma igreja, além de que acções de evangelização são punidas com prisão.
Na Europa, além de carta branca para construção de mesquitas e promoção do Islão, assiste-se á penetração da lei islâmica nos sistemas judiciais. E esta,Daniel?
 
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    Re: Se cristianismo=islão, não existia a seculariz    Ver comentário
barbosaribeiro (seguir utilizador), 1 ponto , 13:30 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
Muito raciocínio, pouca informação
barbosaribeiro (seguir utilizador), 1 ponto , 13:27 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
"TODOS os países cristãos são hoje seculares e protejem a liberdade religiosa, mas TODOS os países muçulmanos, desde Marrocos á Indonésia possuem elementos da lei islâmica nos tribunais e proibem a liberdade religiosa"

Irlanda
Turquia, Bósnia, Albânia... A maior parte dos país muçulmanos não possuem elementos da lei islâmica nos tribunais (queira lá isso dizer o que queira) e a maioria não proibe a liberdade religiosa)

O senhor é tão arrogante como ignorante.

Essa ideia de que a cultura dos países se resume à sua religião é interessante. Falsa, mas interessante.
 
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O Cardeal não tem razão
Manuel Almeida (seguir utilizador), 1 ponto , 15:52 | Quarta feira, 21 de janeiro de 2009
E que aconselha o Cardeal a uma mulher que se meta em sarilhos e case com o homem errado (muçulmano, católico, hindu ou budista)? O divorcio? Que continue metida em sarilhos?

Penso que na sociedade portuguesa é mais importante a questão de saber que fazer quando uma mulher fica em sarilhos por uma má escolha de parceiro, do que inventar um falso problema intercultural..

Dezenas de mulheres são assassinadas anualmente em Portugal pelos maridos, que são na esmagadora maioria católicos. O Cardeal devia pois e em primeiro lugar pregar ao seu rebanho o respeito pela dignidade da mulher.
 
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    Re: O Cardeal não tem razão    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 14:24 | Quinta feira, 22 de janeiro de 2009
    Re: O Cardeal não tem razão    Ver comentário
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Sexta feira, 23 de janeiro de 2009
    Re: O Cardeal não tem razão    Ver comentário
amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:52 | Sexta feira, 23 de janeiro de 2009
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