Portugal tem já 10 mil consumidores regulares de produtos biológicos. Os dados são avançados pela Interbio, uma associação interprofissional do ramo da agricultura biológica, que representa mais de metade do sector. Esta entidade apurou ainda que 45 mil portugueses consomem ocasionalmente produtos biológicos e que 100 mil já experimentaram pelo menos uma vez aquele tipo de produtos.
"A procura de produtos está claramente a aumentar e o que se passa é que a oferta não é suficiente, o que obriga à importação de grandes quantidades", explica Alfredo Cunhal, vice-presidente da Interbio.
Em matéria de produtos biológicos transformados, Portugal importa pelo menos 80% das suas necessidades. Nos hortícolas são entre 30% a 40% e na fruta vêm de fora 70% das quantidades consumidas. Isto, segundo o dirigente da Interbio, é um "absurdo".
É que, como faz questão de sublinhar, a produção biológica só faz sentido se for para consumo local. Se tiver que se ir buscar longe então acarreta custos ambientais enormes, nomeadamente devido às emissões de CO2 provocadas pelo transporte. "É a subversão total do conceito", frisa Alfredo Cunhal.
Números para todos os gostos
As últimas estatísticas do Eurostat apontam para a existência de 1660 operadores do sector em Portugal, dos quais 1577 produtores, 82 transformadores e um importador. A realidade, porém, segundo a Interbio, é "bem diferente". Alfredo Cunhal diz que as estatísticas não têm em conta, por exemplo, os que vão desistindo da actividade. Garante mesmo que a área realmente cultivada em modo biológico não será muito mais que 10% do que é oficialmente anunciado, e que ronda os 233 mil hectares.
Regra geral, os preços dos produtos biológicos são bastante mais elevados que os produzidos em modo convencional - chegam a ser três e quatro vezes superiores.
No entanto, em situações de excesso de produção os agricultores vêem-se pressionados pelas grandes superfícies em matéria de preços, e nessas situações pode acontecer encontrarmos produtos biológicos mais baratos que os convencionais nas prateleiras dos supermercados. Ou seja, como explica o vice-presidente da Interbio, "entre vender mais barato ou não vender nada os produtores preferem vender".