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10 mandamentos para o PSD

8:00 Segunda feira, 28 de abril de 2008
1 Neste momento, o PSD não passa de um clone do PS. E, por amor de deus, nenhum país - nem mesmo o Burundi - precisa da caridade de dois partidos socialistas. O PSD tem de concorrer às eleições de 2009 com um projecto alternativo em relação ao PS (peço desculpa ao leitor por este inocente "wishful thinking" - isto passa com a idade).

2 A 'seriedade' não é um projecto político. Ferreira Leite pode ser a rainha da seriedade, mas, se for incapaz de transformar o PSD, será uma rainha inconsequente. A corridinha matinal não pode ser a única diferença entre Ferreira Leite e Sócrates.

3 A liberalização do código laboral é um factor de justiça entre gerações. Os jovens portugueses são 'falsos recibos verdes' porque os seus colegas mais velhos (os 'efectivos') são intocáveis. Regulamentar os recibos verdes vai prejudicar ainda mais os jovens que, hoje, não conseguem melhores condições de trabalho porque as empresas e instituições não podem despedir os trabalhadores incompetentes que vivem à sombra dos direitos adquiridos. O problema não está na leveza dos recibos verdes; o problema está na rigidez das ligações laborais dos 'efectivos'.

4 O Estado não pode ser o Luís Figo e o Pierluigi Colina ao mesmo tempo; é necessário privatizar as empresas que ainda estão na posse do Estado.

5 Os 'laranjinhas' devem usar cravo no 25 de Abril (e boina vermelha no 25 de Novembro).

6 O Estado deve redireccionar o orçamento destinado à educação para o financiamento directo às famílias (cheque-ensino).

7 A lei das rendas tem de ser alterada. Para um jovem, sair de casa dos pais não pode ser sinónimo exclusivo de empréstimo bancário para a compra de casa.

8 Tem de haver liberdade de escolha na saúde: o Estado deve gastar dinheiro em cheques-saúde (para os doentes) e não em salários (para médicos e enfermeiros).

9 O PSD não pode tratar os portugueses da mesma forma que um gestor trata os clientes. Um país não é uma empresa. A 'direita' não pode ser construída apenas com a fé - ao domingo - e com a máquina de calcular - durante a semana. Há qualquer coisa entre a fé e a tecnocracia: chama-se patriotismo liberal. A contenção do défice e a preservação dos bons costumes não são desígnios nacionais. Desígnio nacional é construir uma sociedade assente no trabalho e mérito individual, bem longe das abstracções progressistas (Povo, Igualdade) e reaccionárias (Tradição, Nação) que destruíram o século XX português.

10 Se o PSD não cumprir estes nove pontos, então, sobra apenas um caminho para esta agremiação política: cometer haraquiri. O PSD não serve para nada se não tiver a coragem para defender estas e outras ideias. E ninguém deve chorar sobre o cadáver laranja.

Duas versões do Mal

Em 'Europa em Guerra' (Edições 70), o historiador Norman Davies provoca dois deliciosos curto-circuitos na sensibilidade da Europa Ocidental. Primeiro: a derrota de Hitler foi provocada pela URSS e não pelos aliados. Segundo: a URSS foi um regime tão maléfico como a Alemanha Nazi. A II Guerra Mundial não foi o confronto entre o Bem e o Mal; a última grande guerra foi um duelo entre duas versões do Mal.

Henrique Raposo

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Manutenção na Liga
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Segunda feira, 28 de abril de 2008
E para quê, a manutenção do PSD? Ao que tudo indica, manter-se-á na esteira do PS, ciosamente empenhado na defesa dos seus direitos adquiridos e por adquirir. Mais valia o hara-kiri, podia ser que das cinzas nascesse depois algo de novo.
 
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sex&binho&rock'nroll (seguir utilizador), 1 ponto , 18:53 | Segunda feira, 28 de abril de 2008

Pois, e depois quem não tiver seguro fica á porta do hospital. E se o papá (ou a mamã) gastar o orçamento em vinhaça, o filho já não pode estudar. E continuamos com os funcionários públicos excedentários, porque na privatização ninguém vai querer ficar com eles...

Olha, toma lá um cheque para ires pregar noutra freguesia.
 
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Versões
taralhouco (seguir utilizador), 1 ponto , 11:00 | Terça feira, 29 de abril de 2008
Sempre que me avisam de que a sensibilidade da Europa Ocidental entra em curto-circuito fico sem saber se é melhor telefonar ao Durão Barroso, chamar o piquete da EDP, ou pedir ajuda ao padre Melícias. A Versão Norman pode ter vários efeitos curiosos. O primeiro é corrigir a falsidade do vulgar conceito de guerra; as pessoas que confundem guerra com operações militares talvez fiquem agradavelmente surpreendidas ao descobrirem que afinal a II Guerra Mundial não foi nada daquilo que lhes contaram desde pequeninas mas sim um duelo entre Versões. Há um segundo efeito, mas esse vai incomodar muita gente. Como é sabido as guerras só podem ser coisas do Mal porque o Bem, exactamente por ser o Bem, não entra nas manobras do Mal. Uma vez que os Aliados entraram na II GM, então os Aliados só podem ser a Terceira Versão do Mal e não a doce Versão do Bem que a História conta. Norman pode ter razão e há muito boa gente que não vai gostar da sua Versão.
 
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amboiva (seguir utilizador), 1 ponto , 17:45 | Quarta feira, 30 de abril de 2008
Re: 10 mandamentos para o PSD
paula rosado (seguir utilizador), 1 ponto , 17:44 | Terça feira, 29 de abril de 2008
Em relação ao 3.º mandamento, o Henrique Raposo tem toda a razão. A regulamentação dos recibos verdes só vai prejudicar ainda mais os jovens. Olhando para a minha situação, há anos que trabalho numa empresa como se fosse funcionária a recibos verdes: tenho horário de trabalho, superiores hierárquicos, trabalho como uma funcionária. E o que é que o governo quer fazer? Que as empresas paguem 5% de Segurança Social?! É preciso alterar alguma coisa, mas parece-me que para variar não estão a acertar na mudança que é necessária ser feita.
 
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Cravos
marg.cabral (seguir utilizador), 1 ponto , 13:52 | Quarta feira, 30 de abril de 2008
O PSD dificilmente conseguirá usar cravo no 25/4. O espaço político que ocupa não o permite, por muito que as suas elites o tentem puxar à esquerda. Uma primeira explicação passa por não saber lidar bem com o passado, porque para muitas das chamadas "bases", não há 25/4, mas 26/4 e dias seguintes. Por outro lado, porque se criou um mito de que a esquerda (os Vascos Lourenços, Álvaros Cunhais e Mários Soares todos) é dona do 25/4 e da Liberdade - e os outros têm de estar caladinhos e sentar na última fila, envergonhados. E o PSD assume este papel.
 
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