Época conturbada esta em que vivemos. Para além de todos os problemas que cada cidadão e cada país internamente enfrentam, temos ainda que lidar com o confronto de culturas existente no nosso tempo.
Criou-se um enorme fosso, até agora quase intransponível, entre a sociedade ocidental americana e europeia e a sociedade oriental muçulmana. As inúmeras diferenças entre uma e outra abriram caminho, na percepção pública, ao medo, reacção primitiva, mas compreensível, de temor perante o desconhecido, tanto de um lado como do outro.
Posta a necessidade de agir, parte-se para intervenções militares, que nada fazem senão aumentar a desconfiança e a animosidade, em tentativas frustradas de se suprimirem uma à outra.
É aqui que as universidades de todo o mundo podem desempenhar um papel-chave, à parte das posições e medidas governamentais: o maior número possível de projectos globais interuniversitários, quer na área das Ciências, quer na das Línguas ou das Artes, levaria a uma séria e relevante relação entre culturas fortalecida no trabalho conjunto.
Investir-se-ia numa aproximação das culturas através dos futuros economistas, engenheiros, pintores, arquitectos, advogados, em suma, os líderes da próxima geração. Para, assim, conhecer em vez de temer, aceitar em vez de suprimir.
O primeiro passo para um verdadeiro entendimento global seria dado dentro do mundo universitário, que em qualquer cultura ou país deve representar seriedade, trabalho, responsabilidade e consciência cívica.
Que se criem, pois, iniciativas, projectos, concursos, do primeiro ao último ano. Que as universidades técnicas arquitectem a ponte sobre o fosso, que as de línguas e as de artes construam o diálogo com o Diferente, que a Universidade cumpra a sua vocação de Universalidade.