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À MESA COM JOSÉ QUITÉRIO

Retiro Sadino: Do sal e do Sado

De casa de petiscos passou a restaurante e ainda satisfaz os apetites de quem passa por Álcacer do Sal.

José Quitério (www.expresso.pt)
13:30 Quinta-feira, 15 de Out de 2009
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À mesa com José Quitério -  Retiro Sadino: Do sal e do Sado
Alberto Frias

A grande vista sobre Alcácer do Sal é a captada do lado de lá, da margem esquerda do Sado. Os olhos agradecem a visão do sobranceiro castelo e do casario que escorre da colina até se implantar em ampla correnteza a debruçar-se sobre o rio e nele espelhada. Ou a contemplação da larga curva do Sado entre a planura dos arrozais, da próxima alvura das salinas e do verde de profusos pinhais, sob o planar suave das altivas cegonhas.

Indo direito ao assunto, para quem vem dos lados de Lisboa, na rotunda antes da ponte metálica vira-se à direita, para onde a placa indica a Câmara Municipal. Não se chega a esta, pois pouco mais de cem metros volvidos já temos a tal vasta frente de casas brancas que enforma a avenida marginal, por onde é bom flanar. Toponimicamente, depois do Largo José Godinho Jacob, com seu quiosque e bancos, a Avenida João Soares Branco, em cujo nº 5, assinalado por uma cegonha desenhada, está o restaurante Retiro Sadino.

À mesa com José Quitério -  Retiro Sadino: Do sal e do Sado
Alberto Frias

A sala de refeições do piso térreo oferece estacionamento agradável, com elementos em pedra e em madeira escura a jogarem com a brancura das paredes, mesas (para 40 utilizadores) devidamente atoalhadas e apetrechadas. Mas é uma pena a outra sala, no piso de cima, nem sempre ser posta à disposição dos clientes (por alegadas dificuldades logísticas), privando-os dessa quase varanda sobre o rio. O restaurante reside aqui, sob propriedade e gerência do ainda jovem Ricardo Carraça, desde Março de 2008. Radica, todavia, em estabelecimento fundado há mais de 50 anos por seus avós, simples casa de petiscos e café, na Rua Direita, continuando com seus pais e evoluindo gradualmente para restaurante, a partir de 1993, tendo encerrado apenas nas vésperas da abertura deste de agora. Ricardo, que também progressivamente se foi aperfeiçoando neste ofício, conta com a chefe Guilhermina na cozinha.

A lista de comidas propõe 18 Entradas, porém a tanta fartura há que subtrair 2 saladas simples e 3 queijos, além de 2 que estavam cortadas. Seguem-se 8 peixes (2 em falta), 3 Peixes Grelhados, 6 Carnes (1 não disponível) e 5 Carnes Grelhadas. O figurino é predominantemente alentejano.

Deixaram-se as entradas postas em sossego, como a linda Inês. Entrou-se efectivamente pelo "bacalhau à Brás caseiro" (€9,95) - não se percebe o que quer dizer o adjectivo -, nada mau de sabor, mas tudo muito miudinho, batata e bacalhau a necessitarem de maior vulto e o ovo de mais cremosidade.

Nas "migas de ovas com linguados fritos" (€13,70), a massa panificada correcta, de consistência relativamente compacta e convenientemente ovada, os dois linguados (que alguém alvitrou virem do porto palafítico da Carrasqueira) escassos de tamanho e de brilho. O "arroz de choco com camarão" (€11,90, molusco brando e expressivo quanto pode, camarão suficiente, amêijoas decentes, coentros na conta, tudo bem integrado no carolino de galharda execução, constituiu um belo prato. As "batatas de rebolão" (€11), que no Ribatejo não levam conduto e servem de acompanhamento, foram aqui cozinhadas com carne de porco e rodelas de chouriço, o que resultou em pitéu saborido e guloso. Das "migas de espargos com costeletas de borrego" (€13,70), diga-se da acertada feitura e manipulação das primeiras, não obstante a discreta presença dos espargos, e do excesso da vinha-d'alhos em que estagiaram as costeletas e que lhes conferiu forte sabor a alho. Genuíno e bonito (de barro não vidrado) o recipiente do "frango na púcara" (€9,30), um verdadeiro estufado, a dar o melhor de si, na companhia de um arroz branco simpático e batatas fritas honestas.

Uma dezena de doces, com alguma participação conventual alentejana, como, por exemplo, a excelente "encharcada" (€2,90). Carta de vinhos reduzida, só em parte datada, fincada no Alentejo e em Setúbal: 33 tintos, 11 brancos, 4 verdes brancos, 1 champanhe e 1 espumante. Serviço amável.

A demanda (sôfrega) ou o regresso (pesaroso) do reino dos Algarves já não exige a passagem obrigatória por Alcácer do Sal. Uma paragem retemperadora pode, contudo, tornar-se apetecida. O Retiro Sadino está à altura de satisfazer os apetites.


Retiro Sadino
Av. João Soares Branco, nº 5 e 6
Alcácer do Sal
Tel. 265 613 086

2 comentários
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Meu Deus que mundo maravilhosos!!!
antespelocontrario (seguir utilizador), 1 ponto , 14:07 | Quinta-feira, 15 de Out de 2009
Sera que alguem me pode dizer se este jovem, e da familia do Carracinha onde se jogava matraquilhos e se comia aqueles pedacinhos de frango assado deliciosos, nos idos principios dos anos 70?

Se for, quando voltar a Portugal, vou la estar concerteza!!

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Retiro Sadino
R1cardoCarraça (seguir utilizador), 1 ponto , 20:00 | Domingo, 25 de Out de 2009
Muito boa noite.

Ex Sr (antespelocontrario)

Sim esta certo, nessa altura ainda estava-mos na nossa Rua Direita.
Muito Obrig.ado
 Como funciona a comunidade no Expresso Responder
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