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O dever de reserva: Juízes sabem o que podem e o que não devem dizer

Adelina Barradas de Oliveira (www.expresso.pt)
0:18 Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Ré em causa própria - O dever de reserva: Juízes sabem o que podem e o que  não devem dizer

Ainda na linha da postagem anterior :

- O dever de reserva dos juízes é apertado ?

O artigo 12º do estatuto dos Magistrados Judiciais já dispunha o seguinte:
 

"1 - Os magistrados judiciais não podem fazer declarações ou comentários sobre processos, salvo, quando autorizadas pelo Conselho Superior da Magistratura, para defesa da honra ou para a realização de outro interesse legítimo. 2 - Não são abrangidas pelo dever de reserva as informações que, em matéria não coberta pelo segredo de justiça ou pelo sigilo profissional, visem a realização de direitos ou interesses legítimos, nomeadamente de acesso à informação".

Em  Março de 2008, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) deliberou que nenhum juiz pode comentar na praça pública casos judiciais, próprios ou alheios. Destaco os seguintes pontos dados a conhecer pelo Conselho Superior da magistratura na altura, que me parecem relevantes:
 

IV - O dever de reserva abrange, na sua essência, as declarações ou comentários (positivos ou negativos) feitos por todos os juízes, envolvendo apreciações valorativas sobre processos que têm a seu cargo;

V - Todos os juízes, mesmo que não sejam os titulares dos processos, podem ser agentes da violação do dever de reserva;


VI - O dever de reserva tem como objecto todos os processos pendentes e aqueles que embora já decididos de forma definitiva, versem sobre factos ou situações de irrecusável actualidade;


VII - Não estão abrangidos no dever de reserva nem a apreciação de decisões decorrente do exercício de funções docentes ou de investigação de natureza jurídica, nem os comentários de natureza científica, estes depois do trânsito da decisão comentada;

Disseram alguns que esta posição do CSM era "uma autêntica "lei da rolha"

 Não me parece que assim seja.
Não gosto nem concordo quando se diz que foi deliberada a lei do silêncio absoluto - "Ninguém pode falar na praça pública, seja em que circunstância for".

Não concordo com o "ninguém pode falar" porque, não nos podem pôr uma mordaça. A Justiça já tem uma venda que, no entanto, deve ter por razões de igualdade para com todos, mas, não é acéfala .
 

A Justiça viveu sempre longe dos cidadãos, escondida no meio de papéis velhos e Tribunais a cair aos bocados, mas não sofreu nenhuma lobotomia e, entende neste século XXI que tem opinião e a sua independência lhe permite, falar, explicar e esclarecer.
O que o Conselho Superior da Magistratura veio dizer agora foi:


 "O dever de reserva abrange, na sua essência, as declarações ou comentários (positivos ou negativos), feitos por juízes, que envolvam apreciações valorativas sobre processos que têm a seu cargo", precisa o CSM, vincando que "todos os juízes, mesmo que não sejam os titulares dos processos, podem ser agentes da violação do dever de reserva".


A questão que se levanta aqui a meu ver de maior impacto público, porque a Justiça tem impacto público e, o cidadão gosta de saber o que se passa e porquê, a questão que se levanta aqui dizia eu, é a de que sempre dentro das regras supra referidas, o CSM teve em conta a necessidade de informação.


Se os juízes à luz do Estatuto, podem fornecer informações sobre processos em matéria não coberta pelo segredo de justiça ou pelo sigilo profissional, quando visem a realização de direitos ou interesses legítimos, nomeadamente de acesso à informação, podem continuar a fazê-lo se não fizerem comentários - apreciações valorativas - e apenas se limitarem a transmitir informação.A possível dentro das regras supra referidas.


Isto porque há que ter em atenção o interesse legítimo, nomeadamente de acesso à informação. O que é este interesse? É o direito a ser informado do que realmente sabemos que está a acontecer mas, sobre o que, não temos a certeza do que está a acontecer.
Mas aqui não me parece que tenha sido coarctado esse Direito à Informação.

Os Juízes estarão, tendo em conta o estatuto, sujeitos a uma lei da rolha?? Não.

Ao que se pode concluir do que já foi escrito aqui, os juízes podem livremente fazer comentários, fornecer informações ou prestar declarações sobre matéria que não seja relativa a quaisquer processos, sem qualquer necessidade de autorização, desde que, repito mais uma vez, não façam apreciações valorativas ou seja, não emitam juízes de valor sobre decisões próprias ou alheias.


Logo, pergunto: Poderão pronunciar-se sobre temas juridicos desde que não sejam relativos a qualquer processo?Podem. Não podem é comentar positiva ou negativamente, as decisões suas ou alheias.


Será uma Lei da Rolha. Não é. E uma boa dose de bom senso e outra de deontologia profissional, nunca nos impedirá de comunicar ao cidadão o que lpodemos e o que devemos.  O que alíás foi feito pelo Colendo Conselheiro Bravo Serra - Vice Presidente do CSM, sobre o processo da Casa Pia.


- ACCB


A dicotomia dever de reserva/liberdade de expressão parece-me bem clara.

 

 

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Ós árbitros de futebol
águiadois (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 8:53 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
"Sabendo o que podem e não devem dizer", infelizmente muitos caiem na tentação de opinarem sobre o jogo politico em que o rectangulo português está transformado : um campo de futebol onde os que deviam ser árbitros também jogam.
E isso, é mau exemplo e acaba por não servir para nada.
 
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    Re: Livrai-nos senhor da tentação    Ver comentário
Maisontemquehoje (seguir utilizador), 1 ponto , 1:36 | Terça feira, 7 de setembro de 2010
sou a rosa e a dona adelina é fixe
Rosa Engeitada (seguir utilizador), 2 pontos , 2:06 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
ai os meus pressentimentos nunca falham e eu desde o principio que sei que a dona adelina não é das juízas más e sim daquelas que o senhor marinho fala e também porque ele fala de tanta coisa que se falhar uma ou outra mal não vem ao mundo e voltando ao assunto e a dona adelina deve dizer aos colegas que tudo o que seja mais que o ladrão de carteira e deixem passar o tempo e até a coisa perder a validade como os iogurtes e vão ver como deixam de ter chatices e mesmo que seja essa coisa da pedofilia e os juízes só podem pôr um ponto final se o pedófilo for trolha e porque se for mais que isso e é desde o senhor marinho aos jornalistas do expresso a pôr mais dois pontinhos para ficar reticências e já em cabra zarolha o senhor juiz e que não digo o nome e sempre que há zangas entre proprietários junta-os numa patuscada e a aí fazem as pazes e os rigores da lei ficam para algum feirante ranhoso e assim o senhor juiz é a pessoa mais respeitada de cabra zarolha e tudo porque se a justiça é cega e ele não é e então as minhas respeitosas despedidas dona adelina
 
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SIGILO - OU QUEBRA DO MESMO
Horizonte e Mar (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 16:48 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Todos, independentemente daquilo que a Lei os Obriga a Cumprir, devem possuir o Dom do Bom Senso e consequentemente saberem até onde poderão falar.
Falar - no sentido que pretendo dar - significa Revelar factos que possam porventura vir a criar problemas ou alterar situações as quais deverão manter-se no "anonimato" até que o apuramento duma "verdade" possa ser feito.
Não acredito - RECUSO-ME - que pessoas como Juizes e Juizas possam cometer tais Crimes porque revelar coisas que possam alterar uma "verdade" é Grave mas se as houver, essas Simplesmente devem ser exoneradas do Cargo que Ocupam, NÃO MAIS PODENDO EXERCER CARGOS DE RESPONSABILIDADE.
Mas creio que o mesmo se passa com Advogados que muitas vezes fazem "Acordos" entre si e posteriormente verifica-se que foramfeitos à revelia dos seus Constituintes. Não será ainda mais Criminosa esta situação?
Em Portugal, devemos sim iniciar uma coisa para a qual não estamos - ainda - habituados: PENSAR e pensar sobretudo em coisas válidas e não perdermos tempo com coisas fúteis para desviar atencões sobre os Graves problemas que temos.
Temos a Obrigação de Exigir ou seja que os Orgãos Máximos Actuem; Temos Obrigação de nos mantermos Atentos, E Sobretudo temos Obrigação de Destituir através de Provas Concretas todos aqueles que abusivamente acupam cargos e prevaricam.
Essa é a realidade mas para isso DEVEREMOS POSSUIR:
1 - CLASSE POLÍTICA SÉRIA;
2 - CLASSE NORNALÍSTICA SÉRIA;
3 - PR - COM PODERES.

Cumprimentos
 
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    Re: SIGILO - OU QUEBRA DO MESMO    Ver comentário
Horizonte e Mar (seguir utilizador), 1 ponto , 12:14 | Terça feira, 7 de setembro de 2010
As leis
caprylm56 (seguir utilizador), 2 pontos , 17:05 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Não são para sentenciar quem as aplica?
 
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E as acusações dos sindicalistas ?
socrates_lisboa (seguir utilizador), 2 pontos (Interessante), 18:03 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Como conciliar o seu texto com a existência de um Sindicato?
Como conciliar a actividade de um sindicato de Juízes com a conclusão " Não podem é comentar positiva ou negativamente, as decisões suas ou alheias."?
 
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Citação
Maxx (seguir utilizador), 1 ponto , 12:32 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Citando um cidadão estrangeiro: "em Portugal a justiça era lenta e morosa, mas eficaz". Mas se os ditos soberanos "Juízes" sabem ou não o que podem dizer, se o dizem pelas razões de igualdade penso que não deveria haver então espaço para que os mesmos sejam condicionados. No meu ponto de vista os Juízes são inteligentes, espertos, ponderados, e têm um sentido de imparcialidade visível bem como soberanos mas até ao limite ético, que para lá da ética passam a ser objectos manipulados ou em proveito próprio cuja posição é inaceitável para qualquer cidadão cumpridor.... no meu trabalho vejo dezenas de computadores e seu conteúdo mas sou obrigado a manter sigilo sobre os segredos das pessoas e NUNCA o poderei usar em benefício próprio nem comentar positivamente ou negativamente o aspecto pessoal do utilizador. Apenas se serve um interesse maior.
 
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Justiça descridibilizada...
Spitzer (seguir utilizador), 1 ponto , 17:09 | Segunda feira, 6 de setembro de 2010
Os julgamentos (quando acontecem) são um circo e os juízes são os palhaços: uns meros palhaços nas mãos dos donos deste país.
 
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    Re: Os donos deste país    Ver comentário
Maisontemquehoje (seguir utilizador), 2 pontos , 1:32 | Terça feira, 7 de setembro de 2010
Que pena
Maisontemquehoje (seguir utilizador), 1 ponto , 1:26 | Terça feira, 7 de setembro de 2010
Que pena textos sérios serem comentados por tanto ignorante.
 
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